A China bloqueou, no dia 27 de novembro de 2023, a aquisição do Manus AI pela Meta, um negócio avaliado em US$ 2 bilhões. A decisão do NDRC (National Development and Reform Commission) encerrou formalmente um processo que teve início em janeiro de 2023, quando Pequim anunciou a investigação da transação por possíveis violações de regras de controle de exportação e segurança nacional.
A Meta afirmou que a aquisição “cumpriu integralmente a legislação aplicável”. O Manus AI é uma ferramenta de inteligência artificial agêntica, projetada para executar tarefas complexas de forma autônoma e em linguagem natural, sem supervisão contínua do usuário.
Histórico do Manus AI
A startup foi fundada na China e rapidamente ganhou notoriedade, sendo saudada pela mídia estatal como “o próximo DeepSeek” após seu lançamento em março de 2025. Em julho do mesmo ano, a empresa migrou sua sede para Singapura após captar US$ 75 milhões liderados pela firma americana Benchmark.
Esse movimento de mudança de sede é conhecido como “Singapore Washing“, uma estratégia utilizada por empresas chinesas para facilitar o acesso ao capital ocidental e reduzir a exposição à regulação de Pequim. O economista Roberto Kanter, professor da Fundação Getulio Vargas, explica que essa prática visa conectar as empresas chinesas ao Vale do Silício.
Consequências do bloqueio
Após a decisão do NDRC, os cofundadores do Manus AI foram impedidos de deixar a China, conforme reportado pelo Financial Times. Parte da equipe da startup já havia sido incorporada à operação de IA da Meta. O bloqueio é visto como uma manobra política, refletindo um xadrez geopolítico entre Estados Unidos e China.
Kanter destaca que tanto o NDRC quanto o CFIUS americano (órgão equivalente) regulam a segurança nacional, mas o bloqueio da Meta possui um peso político maior do que qualquer risco técnico real. Ele sugere que a decisão pode ser uma “carta na manga” em um contexto de negociações entre os dois países.
Impactos no mercado
A curto prazo, a Meta é a principal prejudicada, pois o Manus AI era um componente central de sua estratégia de IA agêntica. A perda de acesso ao Manus também significa que a Meta abre mão de uma base de bilhões de usuários, já que em 2025, a empresa obteve cerca de 11% de sua receita de anunciantes na China.
Opinião
O bloqueio da aquisição da Manus AI pela Meta revela as tensões crescentes entre Estados Unidos e China, destacando a complexidade do cenário tecnológico e político global.





