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Gelson Merísio é lançado como pré-candidato ao governo de SC e gera polêmica

Gelson Merísio é lançado como pré-candidato ao governo de SC e gera polêmica

Gelson Merísio foi oficialmente lançado como pré-candidato ao governo de Santa Catarina em 25 de abril de 2026. A decisão da esquerda catarinense de apoiar um ex-aliado de Jair Bolsonaro (PL) levanta questões sobre a estratégia política da região.

Merísio, que deixou o Solidariedade para se juntar ao PSB, assume a liderança de uma chapa que inclui Ângela Albino (PDT) como vice e os nomes de Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) para o Senado. Essa movimentação tem como objetivo apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Santa Catarina.

Histórico Político de Merísio

Natural do oeste catarinense, Merísio construiu sua carreira na centro-direita, tendo sido vereador em Xanxerê, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) por duas vezes. Em 2018, ele disputou o governo pelo PSD, chegando ao segundo turno, mas foi derrotado por Carlos Moisés (ex-PSL).

Desde 2022, Merísio se aproximou do PT, coordenando a campanha de Décio Lima ao governo. Em uma entrevista, ele recordou seu apoio a Bolsonaro, mas expressou descontentamento com a gestão do ex-presidente, citando a falta de uma agenda para Santa Catarina e a condução da pandemia de Covid-19.

Desafios e Expectativas

Merísio, em seu lançamento como pré-candidato, criticou a imagem de Santa Catarina no cenário nacional, buscando recuperar a identidade do estado como acolhedor e amigo. Segundo uma pesquisa da Atlas/Intel, ele tem 13,8% das intenções de voto, atrás de Jorginho Mello (PL) com 49,4% e João Rodrigues (PSD) com 21,4%. Em cenários de segundo turno, Merísio perderia tanto para Mello quanto para Rodrigues.

O analista político Daniel Pinheiro apontou que a escolha de Merísio reflete uma estratégia da esquerda para ampliar sua competitividade eleitoral, considerando seu perfil mais moderado. A fragmentação do eleitorado de centro e direita pode criar um cenário mais competitivo para um possível segundo turno.

O Senado e a Competitividade

A chapa de esquerda também enfrenta desafios no Senado, com Carol de Toni (PL) liderando com 30,7% das intenções de voto, seguida por Esperidião Amin (PP) e Carlos Bolsonaro, ambos com 20,1% e 18,3%, respectivamente. Décio Lima aparece com 13,4%, empatado tecnicamente com os outros candidatos.

Opinião

A pré-candidatura de Gelson Merísio representa uma tentativa ousada de reconfigurar o cenário político em Santa Catarina, mas os desafios são imensos diante de sua trajetória anterior e da forte presença da direita no estado.