O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, reconheceu que o fim da escala 6×1 pode resultar em maiores custos para as empresas. No entanto, ele acredita que a concorrência no mercado pode minimizar o impacto inflacionário, que muitos empresários temem. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Boulos afirmou: “Quando o Lula libera um dia por semana para o trabalhador, isso tem um custo para quem contrata. E tem limite para repasse de preço. Todo empresário sabe disso.”
A proposta de extinção da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas estão em discussão no Congresso e são consideradas uma prioridade do governo Lula em ano eleitoral. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que essa mudança pode elevar os custos das empresas em até R$ 267,2 bilhões por ano, com um aumento médio de 7% na folha de pagamento.
Para acelerar a aprovação, o governo apresentou um projeto de lei em regime de urgência. Boulos comentou que não se trata de competir com uma Proposta de Emenda à Constituição que já está tramitando, mas sim de evitar que a discussão se arraste no Congresso Nacional. Ele destacou: “A gente sabe que tem gente no Congresso que queria empurrar com a barriga.”
Além disso, Boulos descartou a validade do argumento de que a produtividade do trabalhador seria afetada. Ele reconheceu que a produtividade no Brasil está estagnada, mas argumentou que ter um trabalhador “exausto” não é uma solução. “Os países que reduziram jornada aumentaram a produtividade”, finalizou.
Opinião
A discussão sobre a jornada de trabalho no Brasil é complexa e envolve múltiplos fatores que devem ser considerados cuidadosamente, principalmente em um ano eleitoral.





