O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou a suspensão, a partir de 17 de março de 2026, de novos registros de empréstimos consignados vinculados ao C6 Bank. Essa decisão foi motivada por uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou cerca de 320 mil contratos com cobranças irregulares, incluindo pacotes de serviços e seguros, uma conduta considerada de elevada gravidade.
O INSS informou que a suspensão permanecerá até que a instituição financeira devolva os valores cobrados indevidamente. Em contato com a imprensa, o C6 Bank negou qualquer irregularidade e sinalizou a possibilidade de acionar a Justiça para reverter a suspensão.
Contexto de Desconfiança
A decisão do INSS ocorre em meio a um clima de desconfiança em relação ao governo, especialmente no que diz respeito a fraudes em descontos associativos. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS está em busca de identificar relações entre as fraudes contra aposentados e outros escândalos financeiros, como o do Banco Master.
A operação que investiga essas irregularidades chegou ao Executivo em dezembro de 2025, resultando na prisão do secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal. Além disso, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) foi alvo de um mandado de busca e apreensão.
Um dos pontos mais críticos da investigação é a suspeita de envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula (PT). A Polícia Federal (PF) atribui a ele o apelido de “filho do cara”, mencionado em uma mensagem que aponta o pagamento de R$ 300 mil. A CPMI chegou a quebrar os sigilos bancário e fiscal de Lulinha, mas essa decisão foi posteriormente anulada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que alegou irregularidades na aprovação das quebras de sigilo.
Opinião
A suspensão dos empréstimos do C6 Bank pelo INSS revela a necessidade de um controle mais rigoroso sobre as práticas financeiras, especialmente em tempos de desconfiança pública.






