A dark web costuma ser retratada como uma espécie de “lado obscuro” da internet, frequentemente associado a crimes digitais, vazamentos de dados e mercados clandestinos. Embora parte dessa reputação tenha fundamento, especialistas explicam que o tema é mais complexo do que parece.
Na prática, a dark web representa apenas uma pequena fração da rede e possui características técnicas específicas voltadas ao anonimato e à privacidade. Para esclarecer o assunto, o TechTudo conversou com Marcos Kenickel Vasconcelos, especialista em tecnologia, infraestrutura de internet e conectividade e CTO da NoPing, e Rafael Peruch, consultor técnico para o CISO na KnowBe4.
O que é a dark web e como ela se diferencia da deep web?
Grande parte da confusão sobre o tema começa pela diferença entre deep web e dark web, dois conceitos frequentemente tratados como se fossem a mesma coisa. Segundo Vasconcelos, a deep web corresponde a todo conteúdo que não aparece em mecanismos de busca tradicionais, como Google ou Bing.
Dentro desse universo existe a dark web, que exige ferramentas específicas para acesso, como o Tor (The Onion Router), software distribuído por uma organização sem fins lucrativos. Ele opera em redes overlay com múltiplas camadas de criptografia e relays voluntários para garantir anonimato tanto do usuário quanto do servidor. Tecnicamente, são serviços acessíveis via domínios .onion, que não passam pela resolução DNS convencional.
Por que a dark web é tão temida?
A reputação negativa da dark web está ligada principalmente ao fato de que o anonimato pode ser usado tanto para proteger usuários quanto para facilitar atividades criminosas. Segundo Vasconcelos, existem fóruns e marketplaces voltados para atividades ilegais, como comércio de dados vazados e credenciais roubadas.
É proibido entrar na dark web?
Apesar da reputação controversa, o simples acesso à dark web não é considerado crime no Brasil ou na maioria dos países. De acordo com Vasconcelos, a legalidade depende das atividades realizadas dentro desse ambiente. Acessar a rede Tor é legal, e não existe legislação que proíba o uso de ferramentas de anonimato.
Quais os riscos de acessar a dark web?
Mesmo quando o acesso é feito apenas por curiosidade, a dark web pode apresentar riscos técnicos e de segurança digital. O ambiente reúne diversas ameaças para usuários sem experiência, como links maliciosos, downloads infectados e golpes envolvendo criptomoedas.
Usos legítimos e positivos da dark web
Apesar da reputação associada ao crime, a tecnologia que sustenta a dark web também possui aplicações legítimas, especialmente em contextos que exigem anonimato e proteção de identidade. A tecnologia de roteamento usada na rede Tor foi inicialmente criada para proteger comunicações governamentais.
Hoje, esse tipo de infraestrutura é utilizada por jornalistas investigativos, ativistas e denunciantes que precisam compartilhar informações sensíveis de forma segura. Grandes veículos de imprensa, como The New York Times, The Guardian e BBC, possuem plataformas na dark web usando sistemas como o SecureDrop para garantir a proteção de suas fontes.
Como acessar a dark web com segurança?
Os profissionais alertam que a dark web pode ser acessada com segurança, desde que os usuários estejam cientes dos riscos e adotem medidas de proteção adequadas.
Opinião
A dark web é um espaço complexo que vai além da criminalidade; seu uso legítimo para proteção da privacidade e da liberdade de expressão é essencial, especialmente em regimes autoritários.






