Economia

Mais de 37 mil credores da Unilance lutam por R$ 300 milhões após falência

Mais de 37 mil credores da Unilance lutam por R$ 300 milhões após falência

Mais de 37 mil credores da administradora de consórcios Unilance ainda aguardam o ressarcimento de valores que podem somar R$ 300 milhões. A empresa foi liquidada pelo Banco Central em 2018, e seus antigos clientes dependem de um complexo e lento processo de falência judicial para tentar recuperar o que perderam.

Histórico da Unilance

Em outubro de 2018, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Unilance, sediada em Curitiba, alegando insolvência patrimonial e violação de normas legais. Um interventor descobriu que a administradora possuía apenas R$ 11,2 milhões em bens para cobrir obrigações que totalizavam R$ 95 milhões. Sem empresas interessadas em assumir os grupos de consórcio, a falência foi decretada pela Justiça em março de 2019.

Proteção e prioridade de recebimento

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não oferece proteção aos consorciados, pois essa proteção se aplica apenas a correntistas e investidores de bancos. No modelo de consórcio, os clientes são considerados credores quirografários e, portanto, estão no fim da fila para receber. Isso significa que eles só começam a receber após a quitação das dívidas prioritárias, como créditos trabalhistas e tributos devidos à União.

Situação atual dos sócios e bens da empresa

A Justiça bloqueou preventivamente os bens pessoais dos sócios Sidney Marlon de Paula e Nadir Jesus de Paula, incluindo imóveis, veículos e até aeronaves. Apesar de não haver condenação criminal, a juíza do caso apontou indícios de que extratos bancários foram simulados para manter uma aparência de saúde financeira que não existia. A massa falida dispõe atualmente de cerca de R$ 58,9 milhões, um valor insuficiente para quitar a dívida corrigida.

Movimentações judiciais e futuro incerto

O processo de falência já ultrapassa 69 mil movimentações judiciais e não tem previsão de término. Os advogados dos ex-sócios contestam os relatórios do Banco Central, alegando que o saldo era positivo na época da intervenção e pedindo acesso a documentos contábeis. Enquanto isso, os pagamentos permanecem travados ou limitados aos credores prioritários.

Opinião

A situação dos credores da Unilance é um exemplo claro das dificuldades enfrentadas por quem investe em consórcios, ressaltando a importância de uma maior proteção legal para esses consumidores.