O impacto da guerra no Oriente Médio nos preços pagos pelo consumidor brasileiro por combustíveis derivados do petróleo, como a gasolina e o diesel, pode demorar a chegar. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy.
Desde o início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, em 28 de outubro de 2023, o petróleo teve uma forte alta. As retaliações do país persa contra Tel Aviv e bases americanas em diversos países produtores de petróleo na região também influenciam essa elevação.
Impacto nos preços
Roberto Ardenghy explicou que as refinarias mantêm estoques de petróleo, o que retarda a mudança de preço. Se o petróleo continuar caro, as refinarias começarão a comprar o produto a preços mais altos. “Esse processo pode durar até seis meses para acontecer, e não haverá mudança de patamar de preço a curto prazo”, afirmou Ardenghy.
Ele destacou que a incerteza do mercado global sobre o futuro do conflito é um dos motivos que podem atrasar o impacto nos preços. A continuidade do conflito, o bloqueio do Estreito de Ormuz e a possibilidade de disseminação do conflito para outros países do Oriente Médio são fatores que influenciam essa situação.
Alternativas de escoamento
O presidente do IBP também comentou sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz, que é crucial para a exportação de petróleo. Apesar disso, existem rotas alternativas que podem ser utilizadas, como o transporte de petróleo do Iraque pela Turquia e os oleodutos da Arábia Saudita que levam exportações para o Mar Vermelho.
“Há algumas alternativas, não para garantir todo o volume que passa no Estreito de Ormuz, mas para uma parcela importante”, afirmou Ardenghy.
Brasil no mercado de petróleo
O Brasil é o nono maior produtor e exportador de petróleo, com uma produção que deve atingir 3,8 milhões de barris/dia em 2025. Ardenghy acredita que o Brasil pode contribuir para suprir a escassez de petróleo que pode surgir do Oriente Médio.
“A expectativa é que haja uma reorientação dos fluxos globais de petróleo e gás natural, com países buscando diversificar suas fontes de suprimento”, destacou o presidente do IBP.
Opinião
O cenário atual destaca a importância de o Brasil manter sua produção de petróleo e gás, garantindo segurança energética e oportunidades de exportação.






