Economia

Palo Alto Networks e Texas Roadhouse enfrentam desafios cruciais nesta semana

Palo Alto Networks e Texas Roadhouse enfrentam desafios cruciais nesta semana

Após uma semana marcada pelo avanço dos temores sobre o impacto da inteligência artificial em diferentes setores, o mercado americano inicia o período de negociações sob o questionamento de até quando o comportamento de “vender primeiro e perguntar depois” deve persistir. Com a segunda-feira (16) fechada por conta do feriado do Dia do Presidente nos Estados Unidos, investidores acompanham três grandes vetores que podem definir o rumo das ações nos próximos dias.

Palo Alto Networks e o teste da tese sobre IA

O balanço da Palo Alto Networks, que será divulgado na terça-feira (17) após o fechamento, ocorre em um momento decisivo para o setor de tecnologia. A preocupação recente é de que a inteligência artificial possa reduzir o espaço de empresas tradicionais de software, movimento que já pressionou ações do setor, inclusive nomes de cibersegurança como CrowdStrike. A expectativa do mercado, segundo dados da LSEG, é de: Receita de US$ 2,58 bilhões e Lucro por ação (EPS) de US$ 0,94.

Além disso, investidores acompanham métricas como: Receita recorrente anual (ARR) estimada em US$ 6,128 bilhões e Obrigações de desempenho restantes (RPO) de US$ 15,776 bilhões, segundo a FactSet. Mesmo com analistas apontando demanda “forte”, houve revisão de preço-alvo para baixo, refletindo compressão de múltiplos. O movimento indica um sinal de que o mercado está reavaliando quanto está disposto a pagar por lucros futuros em um cenário de incerteza estrutural.

Texas Roadhouse e a pressão do preço da carne

Na quinta-feira (19), o foco sai da tecnologia e vai para o consumo com o resultado da Texas Roadhouse. O principal desafio da rede de restaurantes é o custo elevado da carne bovina, que vem pressionando margens. A empresa havia projetado inflação de insumos de 7% para 2026, mas os contratos futuros do gado voltaram a se aproximar de máximas históricas. O mercado espera: Receita de US$ 1,496 bilhão, EPS de US$ 1,51 e crescimento de 5,16% nas vendas nas mesmas lojas. Investidores também monitoram possíveis reajustes de preços no cardápio, já que aumentos excessivos podem afetar a estratégia da empresa de manter posicionamento competitivo em custo-benefício.

Inflação e juros no radar do Fed

No campo macroeconômico, o principal destaque será a divulgação do índice de gastos com consumo pessoal (PCE), na sexta-feira (20), o indicador de inflação preferido do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Após o CPI vir abaixo do esperado na semana anterior, o mercado espera confirmação de desaceleração inflacionária. Segundo o CME FedWatch, investidores precificam o primeiro corte de juros de 2026 para a reunião de junho do Fed, a primeira após o término do mandato de Jerome Powell em maio.

Além do PCE, a agenda inclui dados de construção e vendas de imóveis, a ata da reunião do Fed, a primeira prévia do PIB do quarto trimestre e pedidos de seguro-desemprego. Com o mercado ainda sensível a revisões de valuation, mesmo bons resultados corporativos podem não ser suficientes para reverter o humor dos investidores no curto prazo.

Opinião

A volatilidade do mercado diante de incertezas econômicas e pressões inflacionárias exige atenção redobrada dos investidores, especialmente em setores tão impactados como tecnologia e consumo.