Oito anos após surpreender o Rio de Janeiro, o ex-juiz Wilson Witzel tentará mais uma vez contrariar as previsões e chegar ao Palácio Guanabara. O ex-governador, afastado por impeachment em 2021, concorrerá novamente ao cargo, desta vez pelo Democrata, antigo PMB (Partido da Mulher Brasileira).
Insuflado pela onda bolsonarista de 2018, Witzel busca pegar carona nas medidas de austeridade implementadas pelo desembargador Ricardo Couto, governador interino mantido no cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). O nome do ex-governador deve ser confirmado na convenção da sigla.
Witzel afirma ter uma visão de gestão similar à de Couto, ressaltando sua formação em transparência e legalidade. Ele também destaca a escolha do secretário de Fazenda, Guilherme Mercês, que ocupou o mesmo cargo em sua gestão. O ex-governador menciona sua relação conflituosa com a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que decidiu por seu afastamento em 2020.
Impeachment e Ações Penais
Witzel foi afastado em agosto de 2020 após investigações da Polícia Federal apontarem um esquema de desvio de verba na saúde, com alguns casos ocorrendo durante a pandemia. O processo de impeachment foi aberto em junho do mesmo ano e concluído em abril de 2021. Atualmente, ele responde a quatro ações penais no STJ, mas os processos pouco avançaram devido a falhas processuais e mudanças no entendimento do STF sobre a regra do foro especial.
O ex-governador destaca que não foi preso, ao contrário de outros antecessores, e espera desmascarar a narrativa do ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, que firmou delação premiada. Em 2022, ele teve seu registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral devido à pena de inelegibilidade de cinco anos imposta em seu impeachment.
Retorno e Conflitos Políticos
Witzel afirma não ter pendências que o impeçam de concorrer. Ele observa que muitos de seus algozes, a quem atribui sua queda, também se tornaram alvos da Polícia Federal. O ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, relator de seu impeachment, está preso, e a deputada estadual Lucinha é ré acusada de envolvimento com milícias.
O ex-governador Cláudio Castro, que era seu vice quando caiu, desistiu da candidatura ao Senado após ser alvo de investigações. Witzel menciona que, caso eleito, tomará medidas para evitar uma relação conflituosa com a Alerj e prevenir a formação de um governo paralelo.
Opinião
A candidatura de Witzel traz à tona questões importantes sobre a política do Rio de Janeiro e a capacidade de superação de um ex-governador afastado por impeachment.





