Economia

Victor Machado transforma terra do pai em negócio e mantém família no campo

Victor Machado transforma terra do pai em negócio e mantém família no campo

Quando Victor da Silva Machado deixou Campo Grande para viver no campo, em 2009, assumiu o Rancho Chão Parado, propriedade de 10 hectares em Jaraguari, no interior de Mato Grosso do Sul. Aos 31 anos, ele deu continuidade ao projeto do pai, que havia recebido um lote no assentamento e morreu de câncer após morar na área por cerca de um ano.

Dezessete anos depois, a propriedade reúne cultivo de hortaliças, criação de animais e produção de licor com frutas do cerrado. A atividade é conduzida principalmente por Victor e pela esposa, Ana Paula, com a participação dos filhos. O caçula, João, trabalha em uma empresa de reflorestamento, ajuda no rancho e planeja seguir trabalhando no sítio.

Um começo sem energia elétrica

Quando a família chegou ao assentamento, ficou um ano sem energia elétrica. A primeira casa era de madeira e tinha apenas dois cômodos. A propriedade não contava com poço, e a água para consumo da família precisava ser comprada. Cinco anos após a mudança, Victor começou a construir a casa atual; a obra levou dez anos.

O plantio também transformou a paisagem do local. Segundo Victor, as árvores da propriedade foram plantadas pela família, que incluiu palmeiras, coqueiros e espécies frutíferas. Ele estima ter plantado mais de 3 mil árvores.

Hortaliças são a principal fonte de renda

A família começou a gerar renda com hortaliças, como tomate, abobrinha, cheiro-verde e alface, vendidas na cidade. Atualmente, Victor mantém uma produção menor e utiliza o sistema hidropônico, com média de mil pés de alface por mês. Em alguns períodos, também cultiva agrião.

A criação inclui 15 carneiros, dois porcos e 2 mil tilápias. As hortaliças continuam sendo a principal fonte de renda da família. Uma vez por ano, Victor também coleta frutas do cerrado e produz licor, que é vendido na feira de agricultura familiar no fim do ano.

A comercialização, que no início exigia que Victor procurasse pequenos mercados e clientes na cidade, passou a aproveitar o mercado da própria região rural. Segundo o produtor, há cerca de 300 propriedades na área e uma feira de agricultura familiar aos domingos.

Trabalho compartilhado e apoio técnico

Victor e Ana Paula são a principal mão de obra do rancho. Ele cuida do manejo dos animais, da alimentação, das cercas e da manutenção da propriedade. Ana Paula participa do trabalho rural quando necessário. Os filhos também ajudam: João trabalha no rancho principalmente aos fins de semana e pretende continuar na atividade no futuro.

A família recebe assistência do Senar de Mato Grosso do Sul, inclusive para a produção de hortaliças e a ovinocultura. O apoio ajudou Victor a adquirir conhecimentos sobre o cultivo, como o controle de pragas, e também acompanha a criação de carneiros. Os animais são comercializados para um frigorífico.

Planos para ampliar as atividades

Entre os planos de Victor estão começar a vender peixe frito nos fins de semana e receber visitantes da cidade na propriedade, com a possibilidade de oferecer carneiro assado. Ele também pretende reformar a pastagem e cercar o perímetro do rancho para evitar a fuga dos animais.

A continuidade da propriedade já faz parte dos planos de João, que pretende investir no sítio. A família mantém, assim, o trabalho iniciado por Victor após assumir a terra do pai.

Opinião

A história do Rancho Chão Parado mostra como a propriedade combinou produção diversificada, trabalho familiar e assistência técnica para gerar renda no campo.