Com um único clique, um conteúdo tem o poder de viralizar e influenciar pessoas nas redes sociais. Quando se trata de uma informação falsa, as consequências são imediatas. As chamadas fake news, termo considerado a palavra do ano em 2016, deixaram de ser um fenômeno isolado para se tornar parte de um esquema sistêmico, focado em ganhos financeiros e fraudes.
No contexto das eleições, a indústria da desinformação se soma a objetivos políticos e, nos últimos anos, encontrou um formato preferido: os vídeos curtos. Um estudo do NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), analisou 115,3 mil mensagens no WhatsApp e 180,9 mil no Telegram durante as eleições de 2022, revelando como as narrativas enganosas se espalham.
O fluxo da desinformação
Os pesquisadores identificaram que as narrativas costumam nascer em canais menores e grupos de mobilização dentro do Telegram e do WhatsApp, funcionando como repositórios de mídias. Quando a narrativa ganha tração, ela é adaptada para redes como Instagram, TikTok e Facebook, onde o motor de recomendação algorítmica amplifica o alcance.
O formato de vídeo curto se torna o grande catalisador para a viralização da desinformação. Quando o assunto chega aos grandes veículos de imprensa, a narrativa atinge seu ponto máximo de validação e alcance massivo.
Deepfakes: um novo desafio
Com a popularização das ferramentas de IA generativa, a produção de vídeos sintéticos aumentou, trazendo novos desafios de segurança. Um relatório da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) mostrou que o Brasil concentra 39% dos casos de deepfakes registrados na América Latina e teve um aumento de 126% nos ataques que utilizam imagens, vozes e identidades falsas.
A pesquisadora Débora S. Salles, integrante do estudo, explica que a criação de recursos de marca d’água para identificar conteúdos gerados por IA é importante, mas não suficiente. A dificuldade de acesso a dados e a falta de transparência nas plataformas tornam o desafio ainda maior.
Como combater a desinformação?
O combate à desinformação enfrenta a ausência de regras claras para as Big Techs, que criam um ambiente de insegurança digital. Débora ressalta a importância de exigir transparência algorítmica e repositórios públicos de anúncios, sem que isso signifique proibir a liberdade de expressão.
Os usuários também têm um papel fundamental nesse combate. Para evitar cair em armadilhas digitais, especialmente durante o período eleitoral, é essencial manter o senso crítico e checar os fatos recebidos, além de exigir um ambiente seguro e transparente das plataformas digitais.
Opinião
A crescente presença da desinformação nas redes sociais, especialmente em períodos eleitorais, exige uma resposta urgente das plataformas e dos usuários. A conscientização e a educação digital são ferramentas essenciais para enfrentar esse desafio.





