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União Europeia pressiona Reino Unido a elevar tarifas sobre carros chineses

União Europeia pressiona Reino Unido a elevar tarifas sobre carros chineses

A União Europeia tem pressionado o Reino Unido a elevar as tarifas sobre carros da China e alinhar sua política comercial à do bloco. Essa exigência surge como condição para evitar que produtos britânicos sejam atingidos pelas novas barreiras da política “Made in Europe”, segundo informações do Financial Times.

O dilema enfrentado por Londres envolve a preservação da autonomia comercial conquistada com o Brexit e a necessidade de garantir acesso ao mercado europeu para setores estratégicos, como o automotivo e químico. Após semanas de lobby do governo britânico, a resposta da UE foi clara: o melhor caminho seria a adesão à união aduaneira.

Rejeição do Reino Unido

O primeiro-ministro Andy Burnham descartou essa possibilidade, assim como o retorno ao mercado único, compromissos anteriormente assumidos pelo Partido Trabalhista. A política “Made in Europe” visa privilegiar fabricantes do bloco em meio à crescente concorrência chinesa, especialmente no setor de veículos elétricos. Em 2024, a UE impôs tarifas antissubsídios de até 45% sobre esses produtos, enquanto o Reino Unido não acompanhou essa medida.

Esse cenário permitiu que fabricantes chineses conquistassem 16% do mercado britânico de carros novos em 2023, o que gera preocupações em Bruxelas sobre o Reino Unido se tornar uma porta de entrada para produtos chineses no mercado europeu.

Alinhamento em outros setores

No início deste ano, o Reino Unido adotou uma postura diferente no setor siderúrgico, acompanhando a UE ao dobrar para 50% as tarifas sobre o aço, numa tentativa de conter o excesso global de capacidade de produção, impulsionado principalmente pela China.

Outro fator que complica a situação é o interesse do Reino Unido em atrair investimentos da China, incluindo um acordo para a montadora Chery produzir veículos na fábrica da Nissan em Sunderland.

Monitoramento da UE

Recentemente, a UE anunciou que monitorará as exportações de dióxido de titânio do Reino Unido para a Europa, após autoridades britânicas autorizarem a compra de uma fábrica em Teesside pelo maior produtor chinês do agente branqueador industrial.

O Departamento de Negócios, Inovação, Ciência e Comércio do Reino Unido declarou que pretende aprofundar a cooperação comercial com a UE, mas reafirmou sua intenção de adotar medidas de forma independente, sempre baseadas nos interesses econômicos do país.

Opinião

A pressão da União Europeia sobre o Reino Unido revela os desafios complexos que surgem após o Brexit, exigindo um equilíbrio delicado entre autonomia e acesso ao mercado europeu.