A Uber já realizou mais de 17 bilhões de viagens no Brasil desde sua chegada em 2014, tornando-se parte essencial da mobilidade de milhões de brasileiros. Com mais de 140 milhões de usuários, o aplicativo se destaca como um dos maiores mercados da empresa. No entanto, o Brasil não está entre os países que receberão os carros autônomos na primeira fase de implementação.
Parceria com a Rivian e o futuro dos autônomos
A Uber anunciou uma parceria com a Rivian para a produção de até 50 mil veículos autônomos. A primeira fase do projeto começará em 2028 nas cidades de San Francisco e Miami, com uma expansão planejada para 25 cidades nos Estados Unidos, Canadá e Europa até 2031. Apesar do potencial do mercado brasileiro, a empresa optou por deixar o país de fora dessa primeira onda.
Desafios econômicos e operacionais
Os motivos para a exclusão do Brasil envolvem questões econômicas e operacionais. O presidente da Uber, Andrew MacDonald, destacou que, embora o país seja um dos maiores em volume de viagens, as tarifas médias, que variam entre US$ 3,50 e US$ 4, não são competitivas o suficiente para justificar o investimento em tecnologia autônoma. Ele mencionou que será necessário um longo período até que o custo dessa tecnologia se torne viável em mercados como o brasileiro e o indiano.
Regulamentação e infraestrutura
Além dos custos, o Brasil ainda enfrenta desafios em regulamentação e infraestrutura para a operação de veículos autônomos. O especialista automotivo Ricardo Bacellar enfatiza que a retirada do motorista da equação implica em uma estrutura de custos muito mais elevada, o que torna a operação menos viável. Ele estima que projetos-piloto no Brasil não devem ocorrer antes de 2035, e que uma presença comercial ampla pode levar de 10 a 15 anos.
Interesse crescente por carros autônomos
Apesar da exclusão da primeira onda, o interesse por carros autônomos no Brasil está crescendo. Dados do Google Trends mostram um aumento de 20% nas buscas pelo tema nos últimos cinco anos, embora a tendência tenha apresentado oscilações. O pico histórico de interesse ocorreu entre o final de 2024 e o início de 2025.
Opinião
A decisão da Uber de deixar o Brasil fora da primeira onda de carros autônomos levanta questões sobre o futuro da mobilidade no país e a necessidade de investimentos em tecnologia e infraestrutura para que o Brasil não fique para trás nessa revolução.





