Um caso trágico em Itumbiara, Goiás, trouxe à tona a questão da violência vicária, uma forma de violência de gênero em que um homem machuca ou mata pessoas próximas a uma mulher para puni-la. No dia 11 de outubro, o secretário de Governo da prefeitura local, Thales Machado, atirou contra seus dois filhos e, em seguida, cometeu suicídio. O filho mais velho, de 12 anos, morreu antes de ser socorrido, enquanto o irmão de 8 anos faleceu horas depois.
O que é violência vicária?
A violência vicária é definida como uma situação em que o agressor usa crianças ou outros entes queridos da mulher para causar dor e sofrimento. A secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, explicou que essa prática visa penalizar a mulher, criando uma narrativa em que o agressor se coloca como vítima. No caso de Itumbiara, Thales Machado deixou uma carta nas redes sociais, alegando uma traição da esposa e uma crise conjugal.
Reações e campanhas de conscientização
A Defensoria Pública Estadual de Goiás (DPE-GO) destacou que a mulher não é culpada pela violência vicária, afirmando: “Ela não tem culpa. Ponto final”. Em novembro de 2024, a DPE-GO lançou a campanha ‘Ela Não tem Culpa’, que visa combater a culpabilização das mulheres vítimas de violência.
Estela Bezerra também ressaltou que a violência vicária é comum no Brasil, mas frequentemente pouco discutida. “Esse tipo de violência é sistemático, vai de situações sutis até casos extremos, como o de Thales Machado“.
Opinião
É fundamental que a sociedade reconheça e dialogue sobre a violência vicária, promovendo a proteção das vítimas e a responsabilização dos agressores.
