O calor intenso que tomou conta de Mato Grosso do Sul neste fim de semana, com temperaturas se aproximando dos 40ºC, é um indicativo do que está por vir nos próximos meses. O fenômeno climático conhecido como Super-El Niño já começou a mostrar seus efeitos, e o pico das temperaturas deve ocorrer em outubro e novembro.
De acordo com o pesquisador da Embrapa e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Eduardo Assad, o Super-El Niño resultará em temperaturas mais altas que o normal. Atualmente, a temperatura já está 1,71ºC acima do normal. Assad indicou que a anomalia de temperatura deste ano é superior à do El Niño de 1997, o mais severo das últimas décadas.
Consequências do fenômeno
As previsões para a região Centro-Oeste, segundo Assad, incluem ondas de calor acentuadas, que podem ter consequências severas, como a morte de bovinos e a secagem da soja. O plantio da próxima safra de soja está previsto para iniciar na segunda quinzena de setembro, mas o Super-El Niño pode prejudicar essa atividade.
O pico do fenômeno, que deve ocorrer em outubro e novembro, coincide com o período de plantio da soja no Brasil. Embora o País continue a ter uma supersafra, as perdas podem ser significativas. Assad alerta que, em situações críticas, as perdas podem chegar a 10% da safra, o que representa cerca de 32 milhões de toneladas.
Calor em Mato Grosso do Sul
O meteorologista Natálio Abraão Filho informou que em Corumbá, a temperatura atingiu 38ºC, com sensação térmica de 42ºC. Em Campo Grande, a temperatura foi de 34,8ºC, com sensação térmica de 38ºC. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê uma máxima de 38ºC para a capital no início da semana, sem expectativa de chuvas.
Opinião
As altas temperaturas e os efeitos do Super-El Niño são preocupantes e exigem atenção redobrada dos produtores rurais e das autoridades.





