Tecnologia

Startups de IA enfrentam crise: infraestrutura limita crescimento no Brasil

Startups de IA enfrentam crise: infraestrutura limita crescimento no Brasil

Três em cada quatro startups brasileiras de inteligência artificial esperam aumentar o uso de infraestrutura computacional nos próximos 12 meses, conforme pesquisa da Axia Energia. Essa expectativa de crescimento revela um descompasso em relação à expansão da capacidade de processamento disponível no País, segundo Maiza Pimenta Goulart, diretora do grid de inovação da companhia.

Mais de um terço das 90 empresas consultadas relatou que suas operações já foram limitadas pela infraestrutura disponível. Goulart destaca que o gargalo se torna mais evidente no momento de escalar os negócios, levando as startups a buscar alternativas, como desenvolver sua própria infraestrutura com processadores (GPUs) ou utilizar a infraestrutura diretamente em seus clientes.

Desafios da Infraestrutura e Dados no Exterior

O cenário se torna ainda mais relevante diante da concentração do processamento de dados brasileiros no exterior. Estimativas do Ministério da Fazenda apontam que cerca de 60% dos dados do Brasil são processados em nuvens internacionais, o que representa um desafio para as empresas que desejam manter seus dados e processamento em território nacional.

Para Goulart, o avanço da infraestrutura voltada à inteligência artificial depende da coordenação entre a expansão dos data centers e a disponibilidade de energia, especialmente de fontes renováveis. “O Brasil possui uma oferta de energia renovável que é um diferencial competitivo, mas é necessário alinhar essa oferta à demanda por processamento de dados”, afirmou.

Capacidade e Planejamento de Data Centers

Atualmente, o Brasil possui pedidos de conexão à rede de transmissão para data centers que totalizam 26,2 gigawatts (GW), o que equivale a mais de um quarto da capacidade elétrica nacional atual. Entretanto, isso não garante que toda essa capacidade será instalada. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) considera uma fila válida de 10,3 GW em projetos de data centers, após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) passar a exigir garantias financeiras dos empreendimentos.

Além disso, a pesquisa da Axia revela que o preço não é o único fator considerado pelas startups na escolha de fornecedores de infraestrutura. O custo por hora de processamento é relevante para 71% das empresas, enquanto a confiabilidade e o nível de serviço são levados em conta por 70% delas.

Decisão de Mudança de Fornecedor

Embora 59% das startups afirmem estar abertas a migrar de provedor, 70% apontam o custo da mudança como um fator decisivo na escolha. Isso indica que, mesmo diante dos gargalos de infraestrutura, a troca de fornecedor pode ser limitada pelos custos e pela complexidade da migração.

Opinião

A falta de infraestrutura adequada representa um desafio significativo para o crescimento das startups de IA no Brasil, exigindo ações coordenadas entre os setores público e privado.