A previsão de um El Niño intenso em 2024 tem gerado uma mobilização significativa entre as concessionárias de saneamento no Brasil. As empresas estão adotando estratégias mais robustas para enfrentar eventos climáticos extremos, ampliando investimentos em tecnologia, monitoramento e infraestrutura.
De acordo com especialistas, a previsão para o próximo ciclo de El Niño indica uma redução das chuvas em parte do Norte e Nordeste, o que pode comprometer a disponibilidade hídrica. No Sudeste e Centro-Oeste, a expectativa é de aumento das temperaturas, elevando o consumo de água e a pressão sobre os sistemas de abastecimento.
Impactos e Preparativos
O sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, destaca que os impactos sobre o saneamento vão além da água e esgoto, incluindo a questão da drenagem. O excesso de precipitações no Sul pode sobrecarregar os sistemas de drenagem urbana, aumentando o risco de enchentes.
A Aegea tem se preparado para os eventos climáticos levando em consideração os impactos regionais distintos do El Niño. O vice-presidente da companhia para as regiões Norte e Nordeste, Renato Médicis, informa que a empresa utiliza modelos de inteligência artificial para antecipar cenários com até seis meses de antecedência, ajudando a planejar ações preventivas.
Investimentos e Lições Aprendidas
O diretor de Produção e Tratamento da Sabesp, Marco Antonio Lopez Barros, menciona que a crise hídrica de 2014 e 2015 foi uma lição dura, que agora faz parte do DNA da companhia. Entre 2025 e 2030, a Sabesp planeja investir R$ 7,8 bilhões em segurança e resiliência hídrica, com foco em ações como o uso de tecnologia para localizar vazamentos e a instalação de hidrômetros inteligentes.
A Iguá Saneamento também está se adaptando às mudanças climáticas, desenvolvendo planos de segurança hídrica e resiliência desde 2022. A diretora de Operações, Paula Violante, afirma que a empresa está implementando centros de controle para monitorar em tempo real rios, reservatórios e tendências climáticas.
Avanços Regulatórios
Do ponto de vista regulatório, a inclusão do tema de riscos climáticos nas concessões é um processo gradual. Ana Cândida, sócia do BMA Advogados, observa que os contratos de concessão mais recentes, como o da Sabesp, já abordam de forma mais específica esses riscos, estabelecendo medidas preventivas para enfrentar a escassez hídrica.
Opinião
A preparação do setor de saneamento para o El Niño é essencial para garantir a segurança hídrica do Brasil, especialmente em um cenário de mudanças climáticas intensas.





