A China aumentou as compras de petróleo e gás russos desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, após Moscou e Pequim declararem uma parceria “sem limites” poucos dias antes do conflito. A relação energética entre os dois países deve ser um dos principais temas do encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping, em Pequim, nesta quarta-feira.
O papel da Gazprom
A gigante russa Gazprom fornece gás natural à China por meio do gasoduto Power of Siberia, de 3 mil quilômetros, dentro de um contrato de 30 anos e US$ 400 bilhões iniciado no fim de 2019. Em 2025, as exportações cresceram cerca de 25%, para 38,8 bilhões de metros cúbicos (bcm), superando a capacidade anual projetada do gasoduto, de 38 bcm. Durante a visita de Putin à China em setembro, os dois países concordaram em elevar os volumes anuais da rota em mais 6 bcm, para 44 bcm por ano.
Exportações de gás e petróleo
As exportações russas de gás para a China ainda representam apenas uma pequena fração dos 177 bcm anuais entregues à Europa em 2018 e 2019. A participação da Rússia nas importações de gás da União Europeia diminuiu durante a guerra, mas Moscou permaneceu como o segundo maior fornecedor de gás natural liquefeito (GNL) ao bloco no ano passado, com 16% de participação. As exportações russas de GNL para a China cresceram 18,2% no ano passado, totalizando 9,79 milhões de toneladas métricas, tornando a Rússia o terceiro maior fornecedor de GNL para a China, atrás apenas de Austrália e Catar.
No setor de petróleo, a China é o principal cliente do petróleo russo, com importações que somaram 2,01 milhões de barris por dia em 2025, representando 20% de todo o petróleo importado pelo país. As exportações russas de petróleo para a China cresceram 35% no primeiro trimestre de 2026, totalizando 31 milhões de toneladas.
Expansão do oleoduto Espo
A operadora russa Transneft está expandindo o oleoduto Espo para aumentar as exportações via Kozmino, com conclusão prevista para 2029. A Rússia também concordou em aumentar suas exportações de petróleo para a China via Cazaquistão, pelo oleoduto Atasu-Alashankou, em 2,5 milhões de toneladas por ano, totalizando 12,5 milhões de toneladas anuais.
Opinião
A crescente parceria energética entre Rússia e China pode redefinir o cenário global, especialmente em tempos de tensões geopolíticas.





