Diante da forte rejeição entre evangélicos, o PT tenta blindar o eleitorado católico. A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro se intensifica, refletindo a nova dinâmica do eleitorado cristão no Brasil.
Pesquisa aponta intenções de voto
Dados da pesquisa Atlas/Intel mostram que Lula lidera com 46,3% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro tem 36,6%. Entre os católicos, Lula tem 48,3% contra 37,9% de Flávio. No entanto, entre os evangélicos, a situação se inverte, com Bolsonaro liderando com 42,9% frente a 39,7% de Lula.
Rejeição do governo entre evangélicos
A desaprovação do governo Lula entre evangélicos atinge 66,2%, enquanto entre os católicos a desaprovação é de 48,7%. O Censo 2022 revela que 26,9% da população se declara evangélica, representando 47,4 milhões de pessoas.
PT promove encontro com lideranças católicas
Em resposta a esse cenário, o PT promoveu um encontro com lideranças católicas em 30 de junho de 2026, resultando em uma carta com propostas para o programa de governo de Lula. O evento ocorreu após o IV Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do PT.
Estratégia de aproximação
O coordenador nacional do setorial inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, destacou que 86% dos filiados do partido professam a fé cristã. Barbosa negou que as ações tenham caráter eleitoral, enfatizando a defesa da democracia e o combate ao conservadorismo.
Movimento histórico do PT
O cientista político Adriano Cerqueira analisou que a aproximação com os católicos é uma estratégia de sobrevivência do PT, que historicamente se baseou em um Brasil majoritariamente católico.
Foco em pautas sociais
As cartas do PT priorizam pautas sociais e evitam temas de costumes, como a defesa de políticas sociais tradicionais, incluindo o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. O partido também critica o uso da fé como instrumento de manipulação política.
Postura cautelosa de Lula
O presidente Lula tem evitado grandes atos de caráter confessional, justificando sua ausência na Marcha para Jesus para não dar a impressão de buscar dividendos políticos. Ele reforça que as gestões petistas sempre garantiram a liberdade de culto.
Opinião
A aproximação do PT com os católicos reflete uma estratégia necessária em um cenário de crescente polarização religiosa, onde o apoio entre os eleitores é crucial para o futuro político do partido.





