O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou, na noite de 6 de outubro de 2023, uma resolução que expressa críticas à condução da política monetária pelo Banco Central e defende a redução da taxa Selic, que atualmente está em 15% ao ano. O documento ressalta que o nível dos juros é considerado “restritivo e incompatível” com as necessidades do desenvolvimento econômico do Brasil.
No texto, o PT afirma que “é momento de reduzir a taxa de juros” e que a política monetária tem atuado como um entrave ao “projeto eleito nas urnas”. Apesar das críticas, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2024 e, mesmo sob pressão, tem resistido a cortes mais rápidos nos juros.
Expectativas e Metas
O partido também propõe a revisão da meta de inflação, fixada em 3% para 2023, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. O argumento central é que o controle da inflação deve ser alinhado com o crescimento econômico, geração de empregos e fortalecimento do investimento público. Em 2025, o IPCA fechou com alta de 4,26%, abaixo do teto da meta, mas distante do centro fixado em 3%.
Além disso, a expectativa de inflação para 2026, segundo o boletim Focus, foi reduzida de 4% para 3,99%. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% em janeiro de 2023, mas sinalizou a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes a partir de março.
Diretrizes e Críticas
O texto da resolução também faz um balanço da gestão petista, reafirmando diretrizes para 2026 com foco em uma agenda social. Entre as propostas estão o fim da escala 6×1, a tarifa zero no transporte público e a regulamentação do trabalho por aplicativos. Esses projetos são vistos como apostas de Lula para o ano eleitoral.
Politicamente, o PT defende o multilateralismo e critica a utilização do orçamento público por meio de emendas parlamentares, que, segundo a sigla, distorcem o presidencialismo e criam um sistema de chantagem política sobre o Executivo.
Opinião
A pressão do PT sobre o Banco Central reflete a crescente insatisfação com a política monetária em meio a um cenário econômico desafiador, onde o equilíbrio entre controle da inflação e crescimento é crucial.





