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Prefeito Juliano Ferro usa temporal em Ivinhema para criticar rivais e faturar views

Prefeito Juliano Ferro usa temporal em Ivinhema para criticar rivais e faturar views

Um temporal danificou dezenas de imóveis na cidade de Ivinhema, localizada a 190 quilômetros ao sul de Campo Grande, e no distrito de Amandina na madrugada desta sexta-feira (9). O prefeito Juliano Ferro (PL), que se identifica como “o mais louco do Brasil”, rapidamente aproveitou o cenário de caos para aumentar sua adesão nas redes sociais e criticar seus rivais políticos.

Durante as cheias no Rio Grande do Sul em 2024, o prefeito já havia conquistado novos seguidores ao publicar vídeos durante a catástrofe climática. Segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (CEMTEC), a velocidade das rajadas de vento em Ivinhema atingiu 79 km/h, enquanto a chuva acumulou 31 mm na madrugada.

Logo nas primeiras horas do dia, o prefeito, que tem mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais, gravou um vídeo em uma das casas destelhadas, anunciando que começaria a tomar providências para socorrer as famílias afetadas. Em meio às promessas de ajuda, ele criticou a administração petista do Governo Federal, afirmando que recebeu apoio do governador Eduardo Riedel (PP), seu aliado político, mas que o governo federal “infelizmente não nos atendeu”.

O vídeo, gravado sob chuva por sua equipe, rapidamente se tornou viral, alcançando 137 mil visualizações em apenas duas horas, com cerca de 9 mil curtidas, mais de 700 comentários, 300 compartilhamentos e mais de 50 salvamentos. Embora a maioria dos comentários fosse elogiosa, muitos seguiam o tom do discurso do prefeito, atacando seus críticos e defendendo Flávio Bolsonaro.

A estimativa inicial aponta que pelo menos 40 casas foram danificadas pelo temporal, sendo três delas, na zona rural, praticamente destruídas. A casa simples que serviu de cenário para o vídeo do prefeito teve o telhado completamente arrancado. Este não é o primeiro episódio em que Juliano Ferro utiliza o caos para “faturar” nas redes sociais. Em 2024, ele deixou a administração municipal para ajudar em resgates durante as cheias no Rio Grande do Sul, aumentando significativamente sua base de seguidores.

Opinião

A utilização de desastres naturais para impulsionar a imagem política é uma prática controversa, que levanta questões éticas sobre a responsabilidade dos líderes em momentos de crise.