A Polícia Federal adiou o depoimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que estava agendado para esta quarta-feira (7) no inquérito que investiga suspeitas de favorecimento ao Banco Master. O depoimento, que ocorreria no dia 07/10/2026, foi cancelado sem explicações sobre os motivos do adiamento, e ainda não há nova data definida para a oitiva do ex-presidente do Banco Central.
A investigação busca esclarecer a atuação de servidores e ex-dirigentes da autarquia na fiscalização do banco controlado por Daniel Vorcaro. Além de Campos Neto, o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, prestou depoimento na véspera, enquanto o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, está previsto para ser ouvido na quinta-feira (9). O banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, também teve seu depoimento adiado no dia 5 de outubro.
Investigações em curso
A Polícia Federal está investigando a atuação dos servidores Souza e Belline, que são responsáveis pela fiscalização do Banco Central. Os depoimentos foram programados após menções a reuniões informais entre dirigentes do BC e representantes do mercado, levantando suspeitas sobre fraudes bilionárias cometidas pelo Banco Master.
Os servidores investigados teriam atuado como consultores informais de Vorcaro, oferecendo informações sobre processos em troca de propina. Mensagens analisadas pela PF indicam que Paulo Sérgio orientou Vorcaro sobre uma reunião com Campos Neto, então presidente do BC. Documentos da apuração interna do Banco Central revelam que Belline relatou ter recebido pagamentos mensais de R$ 100 mil, embora tenha negado saber que o Banco Master estava por trás dos recursos.
Reuniões não oficiais
A investigação também apura encontros entre Vorcaro e servidores do BC fora dos canais oficiais. Belline declarou à PF que se reuniu cinco vezes com o banqueiro em São Paulo e Brasília, afirmando que os encontros tinham caráter institucional, mas não foram encontrados registros oficiais dessas reuniões.
Opinião
O adiamento do depoimento de Campos Neto levanta questões sobre a transparência e a eficácia das investigações em curso, especialmente em casos que envolvem instituições financeiras e possíveis fraudes.





