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Polícia Civil investiga incêndio no Shopping Tijuca que matou brigadistas; loja tinha problemas

Polícia Civil investiga incêndio no Shopping Tijuca que matou brigadistas; loja tinha problemas

Na tarde desta quinta-feira, a Polícia Civil ouviu três bombeiros civis que integravam a equipe de brigadistas do Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio. A equipe atuou durante o incêndio que resultou na morte do supervisor de segurança Anderson Aguiar e da brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes.

Os sobreviventes relataram que a loja Bell’Art, onde o incêndio teve início, apresentava problemas constantes que nunca foram solucionados. Em depoimento, o brigadista Michael Oberdan Ramos Ribeiro afirmou que a vistoria das lojas era realizada mensalmente, e os estabelecimentos tinham um prazo de 15 dias para corrigir as falhas apontadas. No entanto, segundo ele, as “não conformidades da Bell’Art nunca eram sanadas”, e os mesmos problemas eram recorrentes.

Problemas de segurança e vistoria

O brigadista também mencionou que os detectores de fumaça e as luzes de emergência não funcionaram durante o incêndio. Emellyn e Anderson Aguiar, que morreram no combate ao fogo, estavam cientes das falhas. Em uma vistoria realizada em 27 de dezembro, Anderson alertou sobre os detectores com defeito e pediu que a equipe estivesse atenta caso houvesse uma emergência na loja.

Além disso, o relatório de vistoria feito dias antes do incêndio destacou a presença de materiais combustíveis em áreas técnicas e a estocagem de produtos acima da altura permitida dos bicos do sistema de sprinklers. O documento, que foi registrado seis dias antes da tragédia, incluía fotos e descrições detalhadas sobre as irregularidades.

Incêndio e suas consequências

O incêndio no Shopping Tijuca ocorreu no início da noite do dia 2 de dezembro, e o Corpo de Bombeiros foi acionado às 18h28. As chamas começaram em uma loja de decoração e, na madrugada seguinte, foi confirmada a morte de duas pessoas. Enquanto Anderson Aguiar foi declarado sem vida ao chegar ao Hospital Municipal Souza Aguiar, Emellyn foi retirada do local sem sinais de queimaduras, e a causa da morte pode ter sido inalação de fumaça. Outras três pessoas ficaram feridas durante o incidente.

Após o ocorrido, o Shopping Tijuca reabriu, mas com o subsolo interditado, com o comandante da operação informando que o local ainda estava impraticável.

Opinião

A tragédia no Shopping Tijuca levanta questões sérias sobre a segurança em estabelecimentos comerciais e a responsabilidade na manutenção de normas de prevenção a incêndios.