Desde a redemocratização, a eleição para o Senado não teve tanta visibilidade. O PL concretizou sua estratégia, lançando a maior quantidade de candidatos para as 54 cadeiras que serão renovadas em outubro. O movimento é impulsionado pelo interesse do ex-presidente Jair Bolsonaro em pressionar o Supremo Tribunal Federal com a ameaça de impeachment, buscando sua anistia por condenação relacionada a golpismo.
O PL apresenta 33 candidaturas, incluindo as de Michelle Bolsonaro no Distrito Federal e Carlos Bolsonaro em Santa Catarina. Além disso, o partido estabeleceu parcerias com a federação União Brasil/PP em seis estados, e com o Podemos, Republicanos e Novo em outros dois, além de uma aliança com o MDB em um estado. Se todos os candidatos do PL fossem eleitos, o partido ficaria com 46 dos 54 novos senadores, comprometidos com o projeto de Bolsonaro.
A competição para o Senado é considerada baixa, com uma média de 5,87 candidaturas por vaga, uma queda significativa em relação a 2018, que teve 6,6 candidaturas por cadeira. Ao todo, são 317 candidatos, número inferior ao de 2018, quando eram 357. O PT, principal rival do PL, lançou apenas 21 candidatos, 12 a menos do que na última eleição.
As alianças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Senado incluem parcerias com siglas de esquerda, como Psol, PDT e PSB. Em alguns casos, o PT abriu mão das duas vagas em disputa para apoiar candidatos do MDB em estados como Alagoas, Pará, Paraíba, Piauí e Amazonas.
A expectativa é que o PL cresça significativamente, podendo conquistar até 26 cadeiras, tornando-se o maior partido da casa. Entre os candidatos com boas chances, destacam-se Eder Mauro, Alberto Neto, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, Gustavo Gayer, entre outros. Além disso, há a possibilidade de que o bolsonarismo atinja a maioria absoluta no Senado, com a previsão de alcançar 41 senadores.
Se o senador Flávio Bolsonaro se eleger presidente do Senado, ele terá facilidade para escolher o novo presidente da Casa. Por outro lado, se Lula se reeleger, terá que negociar com senadores que não o apoiaram. A situação se complica ainda mais com a decisão do ministro Gilmar Mendes, que elevou o número necessário para impeachment no STF para 54 votos.
Opinião
A eleição para o Senado deste ano promete ser um divisor de águas, com o PL buscando consolidar seu poder e o bolsonarismo em ascensão, o que pode impactar diretamente a política nacional nos próximos anos.





