Algoritmos e sistemas preditivos já conseguem identificar padrões de comportamento a partir de cliques, tempo de navegação, histórico de buscas e interações em redes sociais. Esses sinais permitem antecipar decisões de compra antes mesmo da escolha consciente do consumidor, movimento que ganhou nome próprio no mercado, o Marketing 7.0.
O conceito foi apresentado por Philip Kotler, autor de referência na área, e propõe deslocar o marketing tradicional para um modelo voltado à mente humana. A proposta usa inteligência artificial para interpretar emoções, contextos e intenções, personalizando experiências em larga escala. “No fundo, a lógica continua a mesma, entender o que move as pessoas. Só mudaram a escala, a velocidade e as ferramentas”, avalia Vinicius Grecco, gerente de Marketing da Irrah Tech, empresa que desenvolve soluções de gestão de relacionamento com clientes e atua em mais de 50 países.
Experiência do consumidor em primeiro lugar
Na prática, o produto deixa de ocupar o centro da estratégia comercial e cede espaço para a experiência vivida pelo consumidor. A pergunta que orienta as empresas passa de como vender para qual experiência entregar. Preço e produto tendem a se equiparar rapidamente entre concorrentes. Diante disso, o valor percebido pelo consumidor passa a depender da qualidade da jornada, antes, durante e depois da compra.
A personalização em escala, antes restrita a nichos como o varejo de luxo, passa a ser viável para empresas de portes variados. Segundo Grecco, o uso de inteligência artificial permite transformar milhares de interações simultâneas em experiências individuais, respeitando o perfil, o momento e a intenção de cada consumidor.
Agentes digitais e marketing contínuo
O relacionamento entre marcas e consumidores deixa de se concentrar em campanhas pontuais e passa a funcionar de forma contínua. O consumidor transita entre canais físicos e digitais ao longo da decisão de compra, pesquisa, compara e decide em momentos distintos, o que exige presença constante das marcas em todos os pontos de contato.
Para sustentar esse modelo, plataformas de inteligência artificial já permitem criar agentes digitais que funcionam 24 horas por dia. Essas soluções respondem a clientes, recomendam produtos e conduzem etapas inteiras do funil de vendas. Um exemplo é o GPT Maker, ferramenta da Irrah Tech que permite criar agentes de IA personalizados conforme a necessidade de cada negócio.
O futuro do marketing
Os agentes aprendem com as interações, ajustam a comunicação e tomam decisões alinhadas aos objetivos definidos pela empresa. “O Marketing 7.0 propõe um marketing contínuo, baseado em interação e personalização em escala. Sem tecnologia, isso não se sustenta”, afirma Grecco. Para o executivo, ferramentas como o GPT Maker permitem que o marketing deixe de ser algo planejado com antecedência e passe a acontecer em tempo real.
Apesar da sofisticação tecnológica, Grecco destaca que o consumidor busca significado, não apenas eficiência. “As marcas precisam ter algo relevante a dizer e garantir que isso seja percebido em cada interação”, afirma. Segundo ele, a tecnologia amplia a compreensão humana sobre o consumidor, e entender esse comportamento deixa de ser diferencial para se tornar condição de existência das empresas no mercado.
Opinião
A revolução proposta pelo Marketing 7.0 e pela inteligência artificial é um chamado às marcas para que se adaptem e busquem um relacionamento mais significativo com seus consumidores.





