O estado do Paraná está se reerguendo no cenário nacional de cafeicultura, após a devastadora Geada Negra de 17 de julho de 1975, que dizimou cerca de 60% dos cafezais. Na época, o Paraná colhia 21,3 milhões de sacas de café por ano, respondendo por 64% da produção nacional, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Com a destruição de 1,8 milhão de hectares de cafezais, o estado viu sua produção cair drasticamente. Atualmente, o Paraná conta com apenas 26 mil hectares dedicados ao café, produzindo menos de 1 milhão de sacas anualmente, o que representa cerca de 4% da produção de Minas Gerais, o líder do setor.
Retomada com foco na qualidade
A recuperação da cafeicultura paranaense, após os danos causados pela geada, exigiu a intervenção da ciência. O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) implementou programas de melhoramento genético e técnicas de adensamento das lavouras, visando aumentar a qualidade dos grãos.
A diretora de Pesquisa e Inovação do IDR-Paraná, Vania Moda Cirino, destacou a importância da ciência para a superação dos desafios enfrentados pelos produtores. Hoje, estima-se que até 30% do volume produzido seja classificado como café especial, o que garante aos agricultores prêmios comerciais que podem dobrar o valor da saca convencional.
Indicações Geográficas e turismo
O café paranaense conquistou reconhecimento com a Indicação Geográfica (IG) em 2012, sendo o primeiro produto do estado a receber tal certificação. O café especial da região do Norte Pioneiro é um exemplo de qualidade, e a Serra de Apucarana se tornou a 24ª IG do Paraná em 2026.
A Rota do Café, inaugurada em 2009, também contribuiu para a diversificação econômica, integrando a produção agrícola ao turismo. Os visitantes podem conhecer o ciclo produtivo do café, desde o cultivo até a degustação.
Iniciativas de marcas e cooperativas
A marca mineira Coffee++ lançou recentemente uma linha de cafés especiais Paraná, destacando a importância histórica do estado na produção de café. O fundador, Leonardo Montesanto, enfatizou o valor dos pequenos produtores organizados em cooperativas.
Opinião
A resiliência da cafeicultura paranaense, impulsionada pela qualidade e inovação, é um exemplo inspirador de como a tradição pode se reinventar diante das adversidades.





