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OpenAI testa anúncios no ChatGPT e gera polêmica sobre privacidade e monetização

OpenAI testa anúncios no ChatGPT e gera polêmica sobre privacidade e monetização

A OpenAI iniciou um teste de exibição de anúncios contextuais no ChatGPT para usuários dos planos Free e Go nos Estados Unidos. Essa mudança representa a primeira vez que a inteligência artificial incorpora publicidade diretamente em suas respostas, marcando um novo capítulo na estratégia de monetização da empresa.

Os anúncios são apresentados ao final das interações, em blocos identificados como “Sponsored” (Patrocinados), e são visualmente separados do conteúdo gerado pela IA. Até o momento, os assinantes dos planos Plus, Pro, Business, Enterprise e Education continuam sem visualizar publicidade na plataforma.

Como funcionam os anúncios no ChatGPT

Conforme a OpenAI, a exibição dos anúncios considera principalmente o tema da conversa em andamento. O conteúdo discutido pelo usuário pode servir como sinal para selecionar peças publicitárias relacionadas ao assunto abordado. Além disso, a personalização pode levar em conta o histórico recente de interações, caso o usuário tenha essa função ativada nas configurações.

Interações anteriores com anúncios, como cliques ou dispensas, também influenciam a lógica de otimização. O objetivo é aproximar o modelo do que já é feito por plataformas digitais que utilizam segmentação por interesse.

Quem verá publicidade na plataforma

Nesta fase de testes, apenas usuários dos planos Free e Go do ChatGPT receberão anúncios. O plano Go, que custa US$ 8 por mês e foi lançado globalmente em janeiro de 2026, oferece recursos adicionais em relação à versão gratuita, como maior limite de mensagens e suporte ampliado para uploads e geração de imagens, mas ainda assim inclui publicidade.

Os assinantes das camadas pagas mais avançadas continuam a ter a experiência sem anúncios, o que se mantém como um dos diferenciais dessas opções.

Controles de privacidade e limitações

A OpenAI afirma ter implementado ferramentas para aumentar a transparência do sistema. Os usuários podem dispensar anúncios específicos, enviar feedback e verificar por que determinada peça foi exibida. Além disso, é possível apagar o histórico de dados relacionados a anúncios.

A empresa destaca que os anunciantes recebem apenas métricas agregadas, como número de visualizações e cliques, sem acesso a dados individuais. Conversas sobre temas sensíveis, como saúde, saúde mental e política, não devem gerar anúncios. Perfis de menores de 18 anos também estão excluídos da exibição de publicidade.

A advogada Mariana Moreti, especialista em propriedade intelectual, alerta para os riscos da inserção de publicidade em assistentes de IA. Segundo ela, quando a resposta parece neutra, mas é influenciada por interesses comerciais, o usuário pode ser induzido ao erro, caracterizando publicidade velada.

A inclusão de anúncios ocorre em um momento de intensa competição no mercado de IA generativa. Com uma base de usuários que cresce mês a mês, a OpenAI busca diversificar suas fontes de receita, combinando assinaturas, contratos corporativos e agora publicidade segmentada.

Opinião

A introdução de anúncios no ChatGPT levanta questões importantes sobre privacidade e a natureza das interações, refletindo um equilíbrio delicado entre monetização e a experiência do usuário.