A ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), administrada pela Karina Ferreira da Gama, foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo no dia 1º de outubro. A investigação apura suspeitas de fraude e desvio de recursos públicos relacionados a um contrato com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de internet.
Inicialmente, o contrato estava estimado em R$ 108 milhões, mas após aditivos, o valor subiu para R$ 157,1 milhões. Investigadores revelam que, até o momento, R$ 26 milhões foram pagos sem a devida prestação de serviços, levantando sérias preocupações sobre a execução do projeto.
Irregularidades na execução do contrato
O contrato previa a instalação de 5 mil pontos de internet até junho de 2025, mas apenas 3,2 mil foram entregues até agora. A investigação aponta que a Polícia Civil está avaliando se houve direcionamento na contratação da ONG, que não possuía experiência comprovada no setor de telecomunicações.
Além disso, os valores cobrados pela Instituto Conhecer Brasil estariam acima dos praticados no mercado, levantando ainda mais suspeitas sobre a legalidade dos repasses. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a Karina Ferreira da Gama e na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação.
Ligação com investigações em andamento
O deputado Marcos Pollon (PL-MS) foi citado na investigação, que também está relacionada a emendas parlamentares. Em uma investigação anterior, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia solicitado esclarecimentos sobre emendas destinadas por parlamentares a entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama.
Além do ICB, a empresária preside a Academia Nacional de Cultura (ANC) e é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse. A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) levantou questões sobre a destinação de recursos públicos para entidades vinculadas a Karina, sugerindo que poderiam dificultar a rastreabilidade da aplicação dos recursos.
Opinião
A investigação da Polícia Civil sobre a ONG Instituto Conhecer Brasil destaca a importância da transparência na gestão de recursos públicos e a necessidade de rigor na fiscalização de contratos firmados com entidades privadas.





