Geral

Museu do Pontal supera enchentes e renova compromisso com a arte popular

Museu do Pontal supera enchentes e renova compromisso com a arte popular

Importante espaço para a arte popular brasileira, o Museu do Pontal celebra meio século de fundação em 2026, colhendo os frutos de um trabalho que deixou para trás dificuldades como as frequentes enchentes que enfrentava em sua antiga sede, no Recreio dos Bandeirantes, bairro do Rio de Janeiro.

A construção de condomínios residenciais nos arredores do sítio em que funcionava o museu deixou o terreno mais baixo que os vizinhos, e o acúmulo de água se tornou uma constante mesmo depois de uma grande reforma em 2009. “Foi em 2011 que a gente começou a viver isso. Foram períodos muito difíceis. Foram inundações, ano a ano, e a gente foi mobilizando pessoas, empresas acionando a Prefeitura”, relatou o diretor executivo Lucas Van de Beuque em entrevista à Agência Brasil.

Em 2016, o museu conseguiu um terreno, mas a falta de recursos deixou as obras paralisadas por dois anos. Preso à sede antiga, sofreu uma inundação ainda mais forte, e as instalações internas ficaram sob até 1 metro de água. Sem recursos para reparar os danos e tocar a obra, o museu se salvou por meio de uma campanha que mobilizou mais de 1 mil doadores.

“Inauguramos em outubro de 2021. Foram 10 anos nesse processo, que foi muito difícil, mas muito interessante também. Tudo tem os dois lados. Foram 10 anos pensando o que seria o novo museu”, afirmou Lucas. No meio do caminho, houve a pandemia de covid-19, mas o museu não parou. Os diretores decidiram realizar uma série de encontros virtuais com artistas de vários estados do Brasil.

Hoje, o Pontal funciona na Barra da Tijuca, com o conceito de Museu Praça – um lugar de encontro e de convivência, concebido para ter permanentemente um diálogo entre as artes plásticas de camadas populares e manifestações de dança e música. “Um lugar com exposições mudando a todo momento, que tivesse espetáculos, oficinas, que fosse um jardim para piquenique e para brincar, um lugar para vivenciar a arte e a cultura brasileira”, explicou Lucas sobre o projeto.

A diretora do espaço cultural, Angela Mascelani, disse que, desde 1976, a coleção construída pelo francês Jacques Van de Beuque traz a característica de valorizar a produção das camadas populares. “A gente sempre trabalhou com artistas, estudando trajetórias e tentando fazer com que o público e o próprio campo entendessem que, embora sejam artistas de camadas populares, esses artistas são autores, têm uma criação, um pensamento original e uma trajetória”, contou à Agência Brasil.

Opinião

O Museu do Pontal se destaca como um símbolo de resistência e renovação, reafirmando a importância da arte popular em um cenário de desafios.