O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou um ofício ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PE) no dia 5 de novembro, solicitando a responsabilização dos envolvidos na exposição de seus dados fiscais e bancários. Esses dados foram anexados ao registro de candidatura ao Senado do ex-procurador da República Deltan Dallagnol.
No ofício, endereçado ao desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, presidente do TRE paranaense, Zanin pediu que a responsabilização ocorra “inclusive no âmbito criminal”. O ministro também notificou as presidências do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o caso.
Exposição de Dados e Quebra de Sigilo
O ministro Zanin citou uma reportagem do portal Metrópoles, que revelou que seus dados foram expostos pela defesa de Dallagnol, que utilizou as informações para contestar uma impugnação da candidatura. Os dados foram obtidos em 2019, quando Dallagnol chefiava a Lava Jato no Paraná e Zanin atuava como advogado do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A quebra de sigilo foi determinada pelo então juiz Marcelo Bretas, que liderava o braço da Lava Jato no Rio de Janeiro. Além de Zanin, os sigilos fiscal e bancário da advogada Valeska Teixeira Zanin Martins, esposa do ministro, também foram quebrados, sob a justificativa de investigar supostos desvios de verbas do Sistema S.
Reação da Defesa de Dallagnol
A defesa de Deltan Dallagnol alegou que os dados referentes à quebra de sigilo de Zanin estavam incluídos em reclamações que o próprio Zanin havia aberto contra Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Esses procedimentos tramitavam sob proteção de sigilo judicial.
Os advogados de Dallagnol afirmam que a apresentação do material foi necessária para demonstrar a regularidade da candidatura e que a intenção nunca foi expor dados pessoais de Zanin. “O desdobramento das reclamações prova que eram insubsistentes”, argumentou a defesa, ressaltando que as quebras de sigilo acabaram sendo anuladas pela Justiça Federal por falta de provas.
Opinião
A situação levanta questões sobre a ética e a legalidade na política, especialmente em tempos de crescente polarização e disputas eleitorais.





