Economia

Marcello José Abbud alerta: Brasil precisa investir em decomposição termomagnética

Marcello José Abbud alerta: Brasil precisa investir em decomposição termomagnética

O mercado de tratamento de resíduos sólidos urbanos no Brasil enfrenta um grande paradoxo. Apesar da existência de tecnologias eficientes, como a decomposição termomagnética, e de capital global disponível para investimentos, a conexão entre esses dois mundos ainda é precária. Marcello José Abbud, diretor de operações da Ecodust Ambiental, discute essa lacuna e a necessidade de investimentos em tecnologias que tratam resíduos de forma mais eficaz do que os aterros convencionais.

O que é decomposição termomagnética?

A decomposição termomagnética é um processo que opera em temperaturas controladas, convertendo resíduos em subprodutos reaproveitáveis, como combustível e gás, ao invés de simplesmente descartá-los em aterros sanitários. Essa tecnologia transforma o resíduo em uma matéria-prima potencial, abordando a questão do valor dos materiais que ainda podem ser utilizados.

Desafios do financiamento

Embora a tecnologia seja validada, o acesso ao capital de investimento não é garantido. Projetos de tratamento de resíduos exigem análises de viabilidade que consideram retorno sobre investimento e outros indicadores financeiros. Abbud observa que muitas empresas do setor ambiental não conseguem traduzir suas propostas em uma linguagem compreensível para investidores, o que pode inviabilizar projetos tecnicamente sólidos.

Comparação com incineração

A decomposição termomagnética se diferencia da incineração convencional por operar em temperaturas mais baixas, reduzindo a formação de compostos tóxicos e aumentando a recuperação de materiais. Esta característica torna a tecnologia mais atraente em termos ambientais.

O papel do ESG

Instrumentos como fundos ESG e green bonds estão ganhando destaque entre investidores que buscam projetos que promovem a economia circular e reduzem emissões. Projetos que demonstram, com dados consistentes, a recuperação de materiais e a diminuição de emissões de metano estão se tornando mais competitivos para esse tipo de financiamento.

Pressão internacional por investimentos

Organizações como o Banco Mundial e a ONU têm enfatizado a urgência de investimentos em infraestrutura de tratamento de resíduos, especialmente em países em desenvolvimento. Essa pressão internacional pode influenciar como bancos de desenvolvimento avaliam projetos no Brasil, que já possui uma legislação que, desde 2010, prevê a eliminação de lixões.

Um futuro promissor

Abbud acredita que a combinação de tecnologia validada, pressão regulatória e a crescente demanda por critérios ESG pode, gradualmente, diminuir a distância entre a tecnologia disponível e a financiada no setor de resíduos sólidos no Brasil. Essa mudança não será abrupta, mas um processo que se consolida à medida que mais projetos demonstram sua viabilidade ambiental e financeira.

Opinião

A evolução no setor de resíduos sólidos é crucial para o Brasil, e a adoção de tecnologias como a decomposição termomagnética pode ser um passo significativo para resolver problemas de gestão de resíduos.