Ser nomeado perito judicial é apenas o início de uma jornada complexa para os médicos. O Código de Processo Civil determina que o juiz escolha o perito entre profissionais cadastrados, conforme o artigo 156. A partir desse momento, inicia-se uma rotina que envolve mais burocracia do que prática médica.
A M Perícias, com sede em Maringá (PR), afirma ter 1.852 peritos médicos ativos em tribunais de todo o Brasil e gerido 15.779 perícias entre março e setembro de 2026. A empresa destaca que, após a nomeação, o perito enfrenta prazos rigorosos. Segundo o artigo 465, ele tem apenas cinco dias para apresentar uma proposta de honorários, currículo e contatos profissionais.
Além disso, o laudo deve ser protocolado com pelo menos 20 dias de antecedência, conforme o artigo 477. O não cumprimento desses prazos pode resultar na substituição do perito, o que é um grande risco para aqueles que já dividem seu tempo entre consultórios e plantões.
Alcides Martinhago Junior, CEO da M Perícias, ressalta que o principal obstáculo para os médicos é a falta de tempo para gerenciar cadastros em múltiplos tribunais e cumprir as exigências processuais. A empresa oferece serviços de assessoria que incluem a gestão de cadastros, acompanhamento de intimações e organização de documentos, permitindo que o médico se concentre na elaboração do exame e do laudo.
Com uma equipe de 102 colaboradores, dos quais 80 são advogados, a M Perícias se especializa em aliviar a carga administrativa dos médicos peritos. Contudo, a nomeação é um ato discricionário do juiz, o que significa que nenhuma empresa pode garantir que um médico será nomeado.
A distinção entre serviços e promessas é um ponto sensível no setor. Enquanto a gestão pode ser contratada, a formação técnica e a prática são áreas onde a M Perícias vê concorrência crescente, principalmente de cursos voltados a médicos que desejam atuar como peritos. Martinhago observa que muitos cursos focam na burocracia, que pode ser terceirizada, em vez de na prática real.
A empresa acredita que os médicos não devem interromper suas rotinas para lidar com a burocracia ou para estudar sobre ela. O tempo perdido com cadastros e cobranças é tempo que poderia ser utilizado para atendimentos ou novos laudos. Para quem realiza poucas perícias, uma gestão própria pode ser suficiente, mas para aqueles que buscam uma atuação mais regular, a estrutura administrativa pode ser um gargalo.
Opinião
A crescente complexidade do trabalho dos médicos peritos exige soluções práticas e eficientes, como as oferecidas pela M Perícias, para que esses profissionais possam focar no que realmente importa: a qualidade de seus laudos e atendimentos.





