A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta minimizar o desgaste provocado pela divulgação de fotos do petista ao lado da empresária Roberta Luchsinger. A lobista é investigada pela Polícia Federal e apontada como próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Após a repercussão das imagens, a equipe do presidente afirmou que registros fotográficos feitos durante campanhas e agendas públicas não significam necessariamente uma relação pessoal, profissional ou política. “O presidente Lula é uma figura pública que, ao longo de sua trajetória e especialmente em campanhas e agendas públicas, é abordado por inúmeras pessoas para registros fotográficos”, declarou a campanha.
Entrevista ao Jornal Nacional
Um dia antes, Lula afirmou durante entrevista ao Jornal Nacional que nunca havia visto Roberta. Questionado pela jornalista Renata Vasconcellos, o presidente negou qualquer relação e afirmou que nunca havia conversado ou mantido contato próximo com ela. “Não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça”, disse.
Após a entrevista, fotografias do presidente ao lado da empresária começaram a circular nas redes sociais. Roberta publicou pelo menos uma dezena de registros com Lula em seu perfil, incluindo imagens da campanha eleitoral de 2022. Em uma das fotos, os dois aparecem fazendo o gesto de “L” usado por apoiadores de Lula.
Investigação da Polícia Federal
Roberta Luchsinger é investigada pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência. Em uma troca de mensagens recuperadas pelos investigadores, a empresária afirmou que Lula teria oferecido a ela um cargo no governo. Durante a entrevista ao Jornal Nacional, o presidente negou a afirmação e chamou Roberta de “pilantra”. “Só faltou ela dizer que eu ofereci a ela o Ministério da Defesa, o comando da Marinha, o Itamaraty”, declarou.
A empresária também foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2025, durante a Operação Sem Desconto, que investiga descontos ilegais em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A partir da análise do celular apreendido, os investigadores apontaram que Roberta teria trabalhado para Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e seria próxima de Lulinha.
Reação da campanha de Lula
Em depoimento à PF, Roberta admitiu ter apresentado Lulinha ao “Careca do INSS”, mas negou ter feito qualquer repasse de valores a ele. O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu três inquéritos contra Lulinha para investigar suspeitas de tráfico de influência.
A campanha de Lula reiterou que a fala do presidente no Jornal Nacional se referia à ausência de relação pessoal ou de interlocução com Roberta. “Lula não mantém qualquer relação com Roberta Luchsinger e nunca teve interlocução com ela”, afirmou a equipe.
Opinião
A situação expõe a complexidade das relações entre figuras públicas e a necessidade de transparência em momentos de crise.





