O governo de Lula enfrenta um dilema crucial sobre o futuro da usina nuclear Angra 3. A decisão, que deve ser tomada até o fim do semestre, envolve custos que variam entre R$ 23,9 bilhões para concluir as obras e até R$ 25,97 bilhões para desistir do projeto, que está 67% concluído.
Atualmente, a indefinição sobre o projeto gera um custo de aproximadamente R$ 1 bilhão por ano, sem que um único megawatt de energia seja entregue ao sistema. O Ministério da Fazenda está sob pressão para reavaliar sua postura, considerando que a energia de Angra 3 custa entre R$ 778 e R$ 817 por MWh, valores significativamente mais altos do que os de leilões recentes.
Impactos financeiros e políticos
A situação é complexa. O presidente da Eletronuclear, Alexandre Caporal, alertou para o risco de insolvência da estatal, o que poderia afetar o funcionamento das usinas Angra 1 e Angra 2. A falta de definição impede a renegociação de dívidas e pode levar a uma crise semelhante à dos Correios.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, reconheceu que o custo para finalizar a usina é elevado e a desistência não evitaria gastos significativos. O debate sobre a viabilidade econômica da usina também é intenso, com especialistas sugerindo alternativas mais baratas e menos arriscadas.
Pressão e novas parcerias
O grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, entrou na equação ao adquirir participação na Eletronuclear por R$ 535 milhões. Apesar da parceria, críticos questionam as implicações dessa associação, especialmente considerando o histórico de intervenções regulatórias em favor do grupo.
Opinião
A decisão sobre Angra 3 é um reflexo da complexidade da matriz energética brasileira e das pressões políticas e financeiras que o governo enfrenta. O futuro energético do país depende de escolhas que devem ser feitas com cautela e responsabilidade.






