Política

Lula afirma que Argentina aprovou jornada de 12 horas, mas é desmentido

Lula afirma que Argentina aprovou jornada de 12 horas, mas é desmentido

Durante a 2ª Conferência Nacional do Trabalho realizada em 3 de março de 2026, o presidente Lula fez uma declaração controversa ao afirmar que a Argentina havia aprovado uma jornada de trabalho de 12 horas diárias. No entanto, as recentes mudanças na legislação trabalhista argentina não estabelecem uma jornada fixa de 12 horas, como sugerido por Lula.

Reforma trabalhista na Argentina

A reforma trabalhista, aprovada em 27 de fevereiro de 2026 sob a presidência de Javier Milei, mantém a jornada legal de trabalho em 8 horas diárias. Contudo, a nova legislação permite que acordos coletivos possam estender a jornada para até 12 horas, desde que haja compensação por meio de banco de horas. Essa mudança possibilita que as horas adicionais sejam convertidas em folgas, garantindo também 12 horas consecutivas de descanso e um limite máximo de 48 horas semanais de trabalho.

O governo argentino argumenta que essa flexibilização permitirá que os trabalhadores negociem jornadas mais adequadas às suas realidades, como a possibilidade de uma jornada 4×3, onde poderiam ter folgas às sextas-feiras.

Críticas e reações

As novas regras enfrentaram forte oposição de sindicatos e centrais trabalhistas argentinas, que convocaram greves gerais em resposta à reforma. Essas críticas refletem preocupações sobre a proteção dos direitos dos trabalhadores e a qualidade de vida no trabalho.

Além disso, durante o evento, ministros do governo Lula defenderam o fim da escala 6×1, uma das principais bandeiras eleitorais do presidente para 2026. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, propôs um equilíbrio entre as demandas de empresários e trabalhadores, enquanto a ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que críticas ao fim da escala 6×1 revelam um desconhecimento da realidade brasileira.

Impacto da declaração de Lula

A declaração de Lula suscita um debate sobre a veracidade das informações e a necessidade de uma discussão mais aprofundada sobre as reformas trabalhistas na América Latina. A confusão gerada por suas palavras pode impactar a percepção pública sobre a situação do trabalho tanto no Brasil quanto na Argentina.

Opinião

A troca de informações imprecisas sobre legislações trabalhistas pode gerar desinformação e polarizar ainda mais o debate sobre direitos dos trabalhadores na região.