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Lucas Braathen Pinheiro troca Noruega pelo Brasil e promete brilhar em Milão 2024

Lucas Braathen Pinheiro troca Noruega pelo Brasil e promete brilhar em Milão 2024

Há pouco mais de dois anos, o Brasil dificilmente seria apontado como candidato a medalha no esqui alpino dos Jogos Olímpicos de Inverno. Esse cenário começou a mudar a partir de uma escolha pessoal de Lucas Braathen Pinheiro, que decidiu trocar a Noruega pelo Brasil e passou a reconfigurar as expectativas para a Olimpíada de Milão/Cortina d’Ampezzo, cuja abertura está marcada para março de 2024.

Nascido em Oslo, Lucas é filho de Bjørn Braathen com a brasileira Alessandra Pinheiro de Castro. A infância foi marcada pela convivência entre duas culturas: a da Noruega, onde viveu a maior parte do tempo, e a do Brasil, país de origem da família materna. Aos 25 anos, o atleta fala português e norueguês com fluência.

Os períodos que passou em São Paulo o aproximaram do futebol, mas a carreira esportiva tomou outro rumo. Aos 9 anos, já na Noruega, deu os primeiros passos no esqui alpino. Dono de talento precoce, avançou rapidamente pelas categorias de base até alcançar a elite da federação norueguesa, uma das maiores potências da modalidade, com 40 medalhas olímpicas, sendo 11 de ouro.

A ascensão foi rápida. Em outubro de 2020, aos 20 anos, venceu sua primeira etapa da Copa do Mundo no slalom gigante, em Sölden, na Áustria. Dois anos depois, em janeiro, conquistou uma vitória marcante no slalom da tradicional etapa de Wengen, na Suíça.

Lucas se firmou como nome forte nas duas disciplinas, que diferem pelo tamanho do percurso e pela distribuição dos portões, as “traves” pelas quais os atletas passam em busca do menor tempo. Na temporada 2022/23, após uma participação discreta em Pequim-2022, foi campeão mundial do slalom, superando o compatriota Henrik Kristoffersen e conquistando o globo de cristal.

Quando tudo indicava a defesa do título no ciclo seguinte, veio a decisão que surpreendeu o esporte. Em outubro de 2023, aos 23 anos, Lucas anunciou a aposentadoria. Poucos meses depois, em março de 2024, confirmou o retorno às competições, desta vez representando o Brasil.

“Desde que o Lucas procurou a CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve) para falar sobre a transferência de nacionalidade, percebemos a empolgação dele em defender o nosso país. No Brasil, ele tem liberdade para competir, montar a própria equipe e buscar patrocinadores. Ele ajuda a desenvolver o esqui alpino e se tornou referência para outros atletas”, afirma Anders Pettersson, presidente da CBDN.

Na época da aposentadoria, a imprensa europeia apontou divergências em relação a patrocínios. O próprio atleta explicaria depois que buscava uma condução mais individual da carreira, com equipe própria, menos atrelada aos interesses coletivos da Noruega e com espaço para “mostrar personalidade”.

“Ninguém está acostumado a ver bandeiras da América do Sul nesse esporte. Isso traz uma energia nova. Teve até gente que levou brigadeiro e pão de queijo. Eu achei que levaria mais tempo para ver isso, mas já aconteceu na primeira competição. Tem sido muito especial para mim”, contou ao podcast oficial dos Jogos Olímpicos, em 2024.

Atualmente, Lucas mantém um estafe de dez profissionais. Mora na Áustria e possui um imóvel em Milão, uma das sedes olímpicas. Também visita com frequência o Brasil, onde vivem familiares maternos e a namorada, a atriz Isadora Cruz.

Defendendo o Brasil, soma dez pódios em etapas da Copa do Mundo (um ouro, sete pratas e dois bronzes) entre slalom e slalom gigante. O mais recente foi a prata no slalom gigante em Schladming, na Áustria. Em novembro, conquistou o primeiro ouro brasileiro na competição, no slalom de Levi, na Finlândia.

“Nessas duas temporadas competindo pelo Brasil, Lucas subiu ao pódio dez vezes na Copa do Mundo e ocupa atualmente a segunda colocação no ranking geral e nas disciplinas de slalom e slalom gigante. Esse retrospecto mostra que ele chega a Milão/Cortina preparado para fazer uma excelente competição”, projeta Pettersson.

Opinião

É inspirador ver um atleta como Lucas Braathen Pinheiro representar o Brasil em uma modalidade tão desafiadora e pouco convencional no país, trazendo novas esperanças e visibilidade ao esqui alpino.