Dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil, sete são proibidos na União Europeia (UE), o que levanta preocupações sobre o que é chamado de “colonialismo químico”. Essa afirmação foi feita pela geógrafa Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) na França, durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Rio de Janeiro.
Impactos dos agrotóxicos
A pesquisa de Larissa sobre o uso de agrotóxicos e suas conexões com a economia global revela que esses produtos químicos, utilizados na agricultura, têm impactos nocivos ao ambiente e à saúde humana e animal. Ela destaca que, entre os agrotóxicos mais vendidos, a Atrazina, o sexto mais utilizado no Brasil, pode causar anomalias em anfíbios, como a mudança de sexo em sapos.
Exportação de pesticidas proibidos
Em 2023, o Brasil recebeu 3 mil toneladas de pesticidas que são proibidos na UE, superando a soma de países como Ucrânia, Estados Unidos e Rússia. Essa situação coloca o Brasil como o principal destino desses produtos químicos, que são banidos na Europa por serem considerados cancerígenos ou por causarem malformação fetal.
Legislação e regulamentação
Com a entrada em vigor da Lei 14.785, conhecida como Lei dos Agrotóxicos, em 2023, novas diretrizes para o uso de defensivos agrícolas foram estabelecidas. A Anvisa já proibiu 13 ingredientes ativos de agrotóxicos desde 2006, mas a reavaliação de produtos registrados no Brasil continua a ser um tema delicado, com a possibilidade de banimento ou imposição de restrições.
O papel da pesquisa e da conscientização
Larissa Mies Bombardi, que atualmente reside na Bélgica devido a ameaças recebidas após a publicação de um atlas sobre resíduos de agrotóxicos nos alimentos brasileiros, acredita que o Brasil, como uma potência agrícola, deve assumir um papel de liderança na regulamentação internacional desses insumos. Ela defende que é necessário romper com o ciclo colonialista e aumentar a conscientização para a construção de políticas públicas eficazes.
Opinião
A discussão sobre agrotóxicos no Brasil é urgente e deve ser amplamente debatida, considerando os impactos à saúde e ao meio ambiente.





