A Justiça de São Paulo aceitou o pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor, protocolado no último final de semana, mas com restrições e apenas de forma parcial. A decisão, divulgada nesta terça-feira (2), permite a antecipação dos efeitos do pedido e suspende as execuções e cobranças por 30 dias.
No pedido de recuperação judicial, o Grupo Fictor afirma ter dívidas acumuladas de R$ 4,3 bilhões, resultado da tentativa de compra frustrada do Banco Master em 2025, que teria provocado uma crise de imagem à empresa. A decisão da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais bloqueia medidas como penhoras, retenções, sequestros e ações de busca e apreensão sobre os bens das empresas envolvidas.
Apesar de conceder a liminar, o juiz Adler Batista Oliveira Nobre não liberou a recuperação de forma automática e determinou a realização de uma perícia para avaliar se o grupo realmente reúne condições legais e financeiras para seguir no processo. O juiz destacou que a concessão da tutela não pode servir como um salvo-conduto para blindagem patrimonial irrestrita.
Além disso, o juiz expressou preocupações com possíveis indícios de irregularidades, como alegações de “pirâmide financeira” e confusão patrimonial com subsidiárias fora do processo. A perícia busca evitar o uso indevido do instrumento judicial, visando verificar as reais condições de funcionamento das requerentes e a regularidade documental.
No pedido apresentado à Justiça, o Grupo Fictor atribui sua crise financeira a uma forte perda de credibilidade no mercado. A empresa afirma que a tentativa frustrada de compra do Banco Master desencadeou uma “crise reputacional” que impactou diretamente sua liquidez.
O grupo declarou que a crise de liquidez começou em 18 de novembro de 2025, após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master. A reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, resultando em uma onda de notícias negativas. Até a véspera da liquidação do banco, o grupo havia recebido cerca de R$ 3 bilhões em aportes de seus sócios, mas após o episódio, os pedidos de resgate alcançaram aproximadamente 71% desse valor, pressionando ainda mais o caixa da empresa.
A Fictor também informou que sofreu cortes e revisões de contratos comerciais devido à perda de confiança, sendo obrigada a vender ativos considerados estratégicos para tentar recompor sua posição financeira.
Opinião
A recuperação judicial da Fictor levanta questões sobre a saúde financeira e a transparência do grupo, especialmente em um cenário de crise de credibilidade no mercado.





