Estrangeiros retiraram quase R$ 16 bilhões da Bolsas brasileira em agosto de 2026, refletindo a crescente cautela dos investidores. Somente na terça-feira, dia 11, foram retirados R$ 4,7 bilhões, a maior retirada diária desde fevereiro de 2021.
Um dos fatores que influenciaram essa movimentação foi a decisão do JPMorgan, que rebaixou sua recomendação para as ações brasileiras de overweight para neutra. O relatório do banco americano destacou a expectativa de um último corte de 0,25 ponto percentual na Selic em setembro, seguido de uma pausa prolongada até o segundo trimestre de 2027.
Incertezas políticas e econômicas
A saída de recursos não se deve a um único fator. O mercado demonstra preocupação com as eleições de 2026 e a incerteza sobre a condução das contas públicas pelo próximo governo. A manutenção da Selic em 14% ao ano, aliada à desaceleração da economia, torna as aplicações em renda fixa mais atraentes, diminuindo o apetite por ações.
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, observa que a cautela aumenta com a proximidade das eleições. Olívia Flôres de Brás, da Magno Investimentos, afirma que o mercado já considera o risco eleitoral, mesmo sem um candidato específico em mente.
Impacto da tensão internacional
Além dos riscos internos, a tensão no Oriente Médio e o aumento nos preços do petróleo também afastam investidores. A estagnação nas negociações de paz e os ataques no Estreito de Ormuz elevaram a preocupação com a inflação global, o que mantém os juros dos títulos americanos altos e drena o capital que poderia ser direcionado a mercados emergentes como o Brasil.
Rebeca Nossig, estrategista da Nomad, destaca que a combinação de resultados corporativos decepcionantes e a fuga de recursos internacionais agrava ainda mais a situação da Bolsa brasileira.
Opinião
A situação atual do mercado financeiro brasileiro exige atenção redobrada, especialmente com a proximidade das eleições e os desafios econômicos que o país enfrenta.





