Economia

JP Morgan alerta: Brasil entre os mais vulneráveis a crise alimentar em 2027

JP Morgan alerta: Brasil entre os mais vulneráveis a crise alimentar em 2027

O JP Morgan emitiu um alerta sobre o risco de uma crise alimentar global em 2027, destacando o Brasil entre os países mais vulneráveis. Segundo o banco, a combinação de um Super El Niño, aumento nos preços de energia e fertilizantes pode elevar significativamente os custos agrícolas e prolongar a inflação dos alimentos.

O fenômeno climático, que altera os regimes de chuva e temperatura, pode ter um impacto direto na produção agrícola, especialmente em commodities como café, cacau, açúcar e arroz. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos estima 81% de probabilidade de um episódio muito forte de El Niño entre outubro e dezembro de 2026, com 97% de chance de que o fenômeno persista até o início de 2027.

Impactos da inflação e vulnerabilidade do Brasil

O JP Morgan prevê que o El Niño pode adicionar 0,3 ponto percentual à inflação de 2026 e 0,4 ponto percentual em 2027 no Brasil. Os países emergentes, como Índia, Indonésia, Brasil e Colômbia, enfrentam maior risco, pois os alimentos representam uma parte significativa do orçamento das famílias e a agricultura é altamente influenciada pelas condições climáticas.

Riscos adicionais e cenários futuros

Além do fenômeno climático, os conflitos no Oriente Médio e problemas no transporte pelo estreito de Ormuz ameaçam rotas comerciais essenciais para insumos agrícolas. O aumento nos custos dos fertilizantes e do diesel pode levar a um repasse desses custos aos alimentos, o que pode ocorrer com alguns meses de defasagem.

Apesar do alerta, o JP Morgan não prevê uma falta generalizada de alimentos, já que os estoques globais de grãos e arroz ainda oferecem uma reserva capaz de amortecer parte da eventual queda na produção. No entanto, a combinação de clima adverso e custos elevados pode prolongar a inflação dos alimentos em 2027.

Opinião

A situação demanda atenção urgente das autoridades brasileiras e do setor agrícola para mitigar os impactos da crise alimentar iminente.