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Jonathan, tartaruga-gigante de Aldabra, revela segredos da longevidade humana

Jonathan, tartaruga-gigante de Aldabra, revela segredos da longevidade humana

Jonathan, uma tartaruga-gigante de Aldabra, completou cerca de 194 anos, desafiando as expectativas de longevidade para sua espécie. Um estudo recente, publicado no periódico Science Advances, analisou seu genoma e encontrou pistas sobre como ele mantém a vitalidade enquanto seus órgãos envelhecem.

Os pesquisadores descobriram que os marcadores químicos que regulam a ativação e desativação dos genes de Jonathan permanecem organizados, comparáveis aos de uma tartaruga de apenas 5 anos. Essa preservação é notável, pois em outros animais, esses marcadores tendem a se desorganizar com a idade.

Descobertas Genéticas Inéditas

A análise do genoma de Jonathan revelou 287 variantes genéticas relacionadas à longevidade, que não foram encontradas em nenhum outro animal estudado até agora. Entre essas, 41 variantes foram identificadas como potencialmente importantes para a longevidade, codificando proteínas que reparam o DNA danificado e controlam a formação de tumores.

Um achado notável é que Jonathan possui 10 cópias de um gene que produz perforina, uma proteína crucial para as células imunológicas eliminarem células desgastadas e cancerosas. Em contraste, Lonesome George, uma tartaruga-gigante das Galápagos, tinha apenas sete cópias desse gene.

Taxa Metabólica e Longevidade

Os pesquisadores, incluindo Justin Gerlach da Universidade de Cambridge, destacam que a taxa metabólica das tartarugas-gigantes é inferior à dos humanos, o que pode reduzir os danos celulares acumulados ao longo do tempo. Essa característica, combinada com as variantes genéticas únicas de Jonathan, pode explicar sua longevidade extraordinária.

Jonathan nasceu por volta de 1832 e vive em Santa Helena, onde se tornou o vertebrado terrestre mais antigo conhecido. Sua idade foi determinada a partir de uma fotografia de 1882, que o mostra em fase adulta.

Desafios e Futuro da Pesquisa

A pesquisa foi liderada pela organização Kallel, fundada por Stephen Clark, e contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Cambridge e do Centro Médico Universitário de Vanderbilt. A coleta de material genético enfrentou desafios, pois o Governo de Santa Helena proibiu a coleta de sangue por segurança. Assim, os pesquisadores rasparam a boca do animal enquanto o distraíam com comida.

Embora o estudo forneça pistas sobre longevidade, os cientistas reconhecem limitações. Sem amostra de sangue, não foi possível validar se as 287 variantes genéticas identificadas funcionam como previsto. Stephen Clark observou que os resultados destacam a importância das mitocôndrias no envelhecimento e a Kallel planeja continuar estudando espécies de vida longa para identificar outras rotas para a longevidade.

Opinião

A pesquisa sobre Jonathan abre novas possibilidades para entendermos a longevidade, mas ainda precisamos de mais estudos para confirmar as descobertas e sua aplicabilidade a outras espécies.