João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), fez duras críticas ao terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerando-o o “pior desempenho” em reforma agrária entre todos os mandatos do petista. Rodrigues afirmou que a vontade política de Lula para realizar a reforma agrária enfrenta barreiras internas, especialmente devido à política fiscal do Ministério da Fazenda.
Em entrevista ao programa Frente a Frente, do Canal UOL, Rodrigues destacou que, apesar das críticas, cerca de 10 mil famílias devem ser assentadas até o final de 2026, enquanto 150 mil ainda vivem em acampamentos. Ele alertou que, no ritmo atual, seriam necessários 15 anos para atender a todos os acampados, o que considera “inaceitável”.
Expectativas para 2026
O MST já confirmou seu apoio à reeleição de Lula em 2026, enfatizando que essa escolha se baseia na defesa da democracia e da soberania nacional. Rodrigues, que atuará como um dos coordenadores da campanha, expressou a expectativa de que, em um eventual quarto mandato, Lula tenha “mais coragem” para enfrentar as restrições fiscais e cumprir promessas de assentamento.
Críticas a candidatos e políticas
Durante a entrevista, Rodrigues também fez críticas a candidatos como Ronaldo Caiado e Tarcísio de Freitas, afirmando que alguns deles desejam a “morte do MST”. Caiado, ex-governador de Goiás, defendeu endurecer as punições para invasões do MST em 2023, enquanto Rodrigues critica a falta de diálogo com esses políticos, que não reconhecem a importância do MST na agricultura familiar.
Futuro pós-Lula
Sobre o futuro do movimento após o mandato de Lula, Rodrigues evitou apontar um sucessor natural, mencionando que o debate está aberto, com nomes como Fernando Haddad e Guilherme Boulos sendo considerados, mas sem um substituto definido até o momento.
Opinião
A crítica de Rodrigues ao governo Lula ressalta a complexidade da reforma agrária no Brasil e a necessidade de um diálogo mais efetivo entre o governo e movimentos sociais para garantir avanços reais.





