Investidores sul-coreanos estão em uma corrida para comprar ações americanas em níveis recordes, mesmo com o mercado de ações da Coreia do Sul apresentando uma trajetória de alta histórica. Em 2022, esses investidores adquiriram US$ 32,4 bilhões em ações americanas, um volume que mais do que triplicou em relação a 2024 e se tornou o maior já registrado, segundo a Korea Securities Depository.
Para conter essa onda, as autoridades financeiras sul-coreanas anunciaram um programa de isenção fiscal que começará em outubro de 2023. O objetivo é incentivar os investidores a venderem suas ações no exterior e reinvestirem no mercado doméstico. Se um investidor de varejo vender ações no exterior e investir no mercado doméstico por mais de um ano, até 50 milhões de won (cerca de US$ 34.156) em ganhos de capital serão isentos de impostos.
Compras líquidas e tendências de investimento
Em janeiro de 2023, as compras líquidas de ações americanas por investidores sul-coreanos atingiram US$ 5 bilhões, o maior total mensal desde 2011. Essa tendência de busca por ações de empresas de tecnologia, como Nvidia e Apple, é especialmente forte entre os jovens, que também estão se voltando para produtos de investimento alavancados.
Rhee Chang-yong, ex-presidente do Banco da Coreia, expressou preocupação com essa corrida por investimentos de alto risco, destacando que muitos jovens justificam suas escolhas dizendo que é “legal”. O índice Kospi da Coreia do Sul subiu aproximadamente 8% ao ano entre 2016 e 2025, enquanto o S&P 500 cresceu cerca de 13% ao ano, o que reforça a atratividade do mercado americano.
Desafios econômicos e impacto no won
A desconfiança em relação à moeda sul-coreana, o won, que está cotado a cerca de 1.450 wons por dólar, tem levado tanto as gerações mais velhas quanto os jovens a buscarem alternativas de investimento no exterior. O saldo devedor de empréstimos com garantia em ações atingiu recentemente 30 trilhões de won, um recorde que reflete a pressão sobre os investidores para não ficarem para trás nos ganhos do mercado.
Opinião
A crescente migração de investidores sul-coreanos para o mercado americano levanta questões sobre a confiança na economia local e a necessidade de medidas eficazes para revitalizar o mercado de capitais doméstico.
