O mercado aéreo do Brasil enfrenta um cenário preocupante, com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) revelando que o país perdeu 9,9% das rotas aéreas entre 2019 e 2025. Durante a 82ª Reunião Geral Anual da Iata, realizada no Rio de Janeiro, o vice-presidente regional, Peter Cerdá, destacou que a recuperação do setor ainda está distante e que novas dificuldades podem surgir devido ao aumento do preço do combustível e às mudanças propostas na reforma tributária.
Queda nas rotas e aumento na oferta de assentos
Em 2025, o mercado brasileiro operou com uma média de 774 rotas, o que representa uma queda significativa em comparação com o período pré-pandemia. Apesar disso, o número de assentos ofertados aumentou 4%, totalizando 145,3 milhões. Essa discrepância indica que, embora mais pessoas estejam voando, muitas regiões perderam a frequência de voos, resultando em uma oferta reduzida e, consequentemente, preços mais altos.
Impacto da reforma tributária e custos operacionais
Uma das maiores preocupações do setor é a reforma tributária em discussão no Brasil. Segundo Cerdá, a proposta atual pode elevar o preço do bilhete aéreo doméstico de US$ 130 para US$ 160 e o bilhete internacional médio de US$ 740 para US$ 935. Atualmente, cerca de 40% dos custos operacionais das companhias aéreas é atribuído ao combustível, o que torna a volatilidade dos preços uma questão crítica para a sustentabilidade do setor.
Conectividade e a importância da aviação
Cerdá enfatizou que a aviação é um serviço essencial para o desenvolvimento do Brasil, um dos maiores países do mundo. O voo per capita no Brasil foi de 0,50 em 2025, um número inferior à média da América Latina, que é de 0,68. Em comparação, Canadá e Estados Unidos apresentam médias de 2,49 e 2,61 voos per capita, respectivamente.
Colaboração com o governo e desafios futuros
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) tem sido uma parceira importante no lado regulatório, buscando sensibilizar o governo sobre os desafios que o setor enfrenta. As companhias aéreas internacionais também estão intensificando as conversas com o governo, preocupadas com o impacto de uma possível maior tributação.
Opinião
A situação do mercado aéreo brasileiro exige atenção imediata, pois a combinação de perda de rotas e aumento de custos pode comprometer a conectividade e o desenvolvimento econômico do país.





