Economia

Herlander Zola alerta sobre riscos à indústria com fim da escala 6×1 no Brasil

Herlander Zola alerta sobre riscos à indústria com fim da escala 6×1 no Brasil

O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 no Congresso brasileiro pode intensificar a pressão sobre a competitividade da indústria automotiva local, conforme avaliou Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul. A declaração foi feita após sua participação no Anfavea Visions, um fórum promovido pela Anfavea em São Paulo.

Competitividade em risco

Zola destacou que, em comparação com a China, a competitividade do Brasil pode ser prejudicada. Ele afirmou que as horas trabalhadas na China são significativamente maiores do que as que o Brasil poderá ter com o novo modelo de trabalho que está sendo discutido. “A piora na nossa competitividade é inegável”, disse Zola.

O executivo, que lidera marcas como Fiat, Jeep e Citroën, também apontou que o modelo de produção local já enfrenta riscos devido à expansão das montadoras chinesas. “Muitos dos players nacionais têm parcerias fortes na China, que podem ser utilizadas caso o modelo daqui não se mostre competitivo o suficiente”, afirmou.

Investimentos e desafios

A Stellantis prevê investir R$ 30 bilhões no Brasil até 2030, com o objetivo de manter a competitividade. “Nosso investimento nesse modelo de negócio é muito pesado. Queremos concentrar nossos esforços, mas precisamos do nível de competitividade necessário”, declarou Zola.

Esse debate ocorre em um momento em que a indústria automotiva brasileira vive um ciclo recorde de investimentos, com mais de R$ 190 bilhões voltados para transformação tecnológica e modernização da produção.

O futuro da mobilidade

Durante o Anfavea Visions, Zola participou de um painel com os presidentes da Toyota e da Renault no Brasil, discutindo os desafios da indústria nacional. O CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes, também destacou a importância da sustentabilidade, conectividade e geopolítica no setor.

Além disso, o presidente da Renault, Ariel Montenegro, mencionou que as montadoras locais perderam 7% de participação em mercados vizinhos, ressaltando a necessidade de novas soluções para manter a competitividade.

Políticas públicas necessárias

O presidente da Toyota, Evandro Maggio, defendeu a criação de políticas públicas de longo prazo, como o programa Mover, que visa incentivar a produção nacional de veículos. Segundo ele, medidas isoladas não são suficientes para enfrentar os desafios competitivos.

Opinião

O debate sobre a escala de trabalho e os investimentos no setor automotivo revelam a urgência de uma estratégia clara para garantir a competitividade do Brasil diante da crescente pressão internacional.