Política

Henrique Meirelles critica expansão de programas sociais de Lula: ‘Insustentável’

Henrique Meirelles critica expansão de programas sociais de Lula: 'Insustentável'

O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez duras críticas à expansão dos programas sociais promovida pelo governo do presidente Lula (PT), classificando a situação como ‘insustentável’. Meirelles enfatizou a necessidade de uma ‘visão estruturante’ para controlar os gastos públicos e um maior rigor na observância do arcabouço fiscal.

Durante sua fala no Global Invest Day, evento realizado pela fintech Nomad, ele alertou sobre os riscos de gastos excessivos. “Qualquer gasto fiscal fora do teto resolve o problema do governo formal e das suas condições, mas não leva o país aos seus efeitos referentes ao aumento da dívida pública”, afirmou Meirelles.

Os dados são alarmantes: em 2019, os gastos com assistência social foram de R$ 92,8 bilhões, enquanto em 2025, esse valor saltou para R$ 285,8 bilhões, um aumento de 207,9%. A dívida pública também cresceu, alcançando R$ 8,65 trilhões em 2025, em comparação aos R$ 4,24 trilhões de 2019.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil também apresentou crescimento, subindo de R$ 7,4 trilhões em 2019 para R$ 12,7 trilhões em 2025. Contudo, Meirelles argumenta que essa alta no PIB foi impulsionada pelo aumento da dívida pública, o que exige um reposicionamento do Estado na economia para garantir um crescimento sustentável.

Lula substituiu o teto de gastos, que foi instituído pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), pelo arcabouço fiscal, que permite um aumento de gastos de até 2,5% ao ano. Essa nova regra é mais flexível, mas apresenta “buracos”, excluindo algumas despesas do cálculo, como repasses para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e receitas do Judiciário, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Opinião

A análise de Meirelles sobre a situação fiscal do Brasil levanta questões importantes sobre a sustentabilidade dos programas sociais e a necessidade de um controle mais rigoroso dos gastos públicos.