O grupo Mãos de Fada, composto por 21 artesãs da comunidade rural de Limeira, em Biguaçu, na Grande Florianópolis, recebeu recentemente o certificado de Ponto de Cultura Viva do Ministério da Cultura. Este reconhecimento visa fortalecer culturas populares e tradicionais com base comunitária.
A associação foi criada em 2007 com o apoio do Escritório da Epagri no município. As mulheres se reúnem semanalmente no salão paroquial da igreja para compartilhar saberes como crivo, tricô, crochê e bordado da vovó. Entre elas, destaca-se Maria Rosa Amaral, de 81 anos, uma das fundadoras e especialista em bordado de crivo, que aprendeu a técnica aos cinco anos de idade.
Histórias e saberes
Maria Rosa compartilha sua preocupação com a possível perda dessa arte: “O mundo de hoje não quer fazer coisas que levam tempo”, afirma. A extensionista social da Epagri, Cilana Bertoncini, acompanha o grupo há 19 anos e ressalta a importância da troca de saberes entre as artesãs.
“A vontade de ensinar e ver a outra aprender é muito significativa dentro deste grupo”, explica Cilana, que orientou a gestão administrativa da associação desde seu início. Para as artesãs, a vivência em grupo é uma prioridade, funcionando como um espaço de lazer e aprendizado.
Conquistas e doações
O Mãos de Fada, que completará 19 anos no dia 22 de outubro, recebeu R$ 25 mil em um edital que será utilizado para a aquisição de uma nova máquina de costura e materiais de artesanato. Além disso, o grupo realiza doações de artesanato para mulheres em situação de vulnerabilidade social.
As artesãs também produzem itens para o Cepon, o Centro de Pesquisas Oncológicas em Florianópolis, demonstrando seu compromisso social. A fundadora Célia Kuhn de Campos, de 69 anos, relembra o início do grupo, ressaltando a união das mulheres para manter viva a tradição artesanal.
Opinião
O reconhecimento do Mãos de Fada pelo Ministério da Cultura é um passo importante para a valorização das tradições artesanais e o fortalecimento do associativismo comunitário em Santa Catarina.





