Política

Governo Lula repudia Flávio Bolsonaro por politizar tarifas dos EUA contra o Brasil

Governo Lula repudia Flávio Bolsonaro por politizar tarifas dos EUA contra o Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou, nesta terça-feira (7), a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, durante audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). O Palácio do Planalto afirmou que o parlamentar tentou politizar as relações entre Brasil e Estados Unidos e que sugeriu o adiamento das tarifas “com claro objetivo eleitoreiro”.

Na sua participação, Flávio argumentou que, agora, seria “o pior momento possível para agir”. Ele disse que as eleições ocorrem neste ano e pediu que os membros da comissão não imponham tarifas aos produtos brasileiros. “O governo brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro em audiência pública realizada, nesta terça-feira (7), pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), aberta à participação do setor privado e da sociedade civil para discutir a imposição de tarifas contra o Brasil”, diz o Palácio do Planalto em nota.

O governo destacou que, das 44 intervenções de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, apenas Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro.

De acordo com o governo Lula, em vez de rebater as “alegações infundadas” do governo americano para taxar o Brasil, o senador optou por “legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”. “O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil”, afirmou o governo.

O Palácio do Planalto também mencionou que Flávio omitiu, ao citar as investigações envolvendo o Banco Master, a “origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro“. Além disso, não mencionou seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai.

O governo Lula ressaltou que Flávio tenta “mudar o discurso” para passar a imagem de que defende o Pix, mas propõe subordinar o sistema aos interesses norte-americanos. Segundo a gestão federal, enquanto o parlamentar “tentava politizar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos”, funcionários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Itamaraty; Ministério da Justiça; e do Palácio do Planalto tiveram reunião com técnicos do USTR para desfazer o tarifaço contra o Brasil.

O governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil. Por meio de reuniões, cartas, telefonemas e encontros no mais alto nível, temos demonstrado que as tarifas não têm fundamento.

Opinião

A intervenção de Flávio Bolsonaro em uma audiência internacional levanta questões sobre a responsabilidade de um político em defender os interesses nacionais, especialmente em um momento delicado para as relações exteriores.