O governo Lula está considerando a revogação do imposto conhecido como taxa das blusinhas, instituído em 2024, que incide sobre compras internacionais em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. A medida, que estabelece uma tributação de 20% sobre compras de até US$ 50, tem gerado desgaste político e insatisfação entre a população.
Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg revelou que 62% dos brasileiros consideram a taxa um erro, evidenciando a pressão sobre o governo para reverter a situação. Desde a sua implementação, a arrecadação com o imposto alcançou R$ 5 bilhões em 2025, mas o consumo de importados caiu 35% entre as classes de menor renda, como C, D e E.
Impacto e oposição à taxa
A taxa das blusinhas foi criada com o argumento de proteger a indústria nacional, mas, segundo dados da Secretaria da Receita Federal, o impacto foi desproporcional, com uma queda de 35% no consumo entre as classes mais baixas, em comparação a 11% entre as classes A e B. Enquanto isso, o setor produtivo defende a manutenção da taxa, alegando que ela ajudou a equilibrar a concorrência e gerou empregos.
Divisão no governo e propostas na Câmara
O presidente Lula manifestou apoio à anulação do tributo, reconhecendo o prejuízo que a taxa trouxe ao governo. Contudo, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, argumenta que a reversão teria um impacto fiscal limitado. A situação se complica com a resistência do Ministério da Fazenda, que defende a taxa como essencial para a proteção da indústria nacional.
Atualmente, há duas propostas tramitando na Câmara dos Deputados para reverter a taxa, uma de Ricardo Ayres (Republicanos-TO) e outra de Kim Kataguiri (Missão-SP). Ambas argumentam que a taxação encarece produtos sem trazer benefícios para a indústria.
Opinião
A possível revogação da taxa das blusinhas pelo governo Lula pode ser vista como uma tentativa de recuperar a popularidade em um ano eleitoral, refletindo a necessidade de um equilíbrio entre a arrecadação e o bem-estar do consumidor.





