O governo federal está se preparando para lançar o primeiro leilão de baterias em larga escala do Brasil, uma iniciativa que promete ser um marco no setor elétrico do país. O leilão, aguardado há anos, é considerado crucial para o avanço das fontes renováveis, especialmente solar e eólica.
Contratação inicial e economia potencial
A proposta do Ministério de Minas e Energia (MME) é contratar inicialmente 2 GW de potência em sistemas de armazenamento de energia, conhecidos como BESS (Battery Energy Storage Systems). Esses sistemas têm a capacidade de fornecer energia por até quatro horas e podem ser acionados imediatamente pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O volume de energia gerado seria suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 6 milhões de habitantes.
Estima-se que a implementação desses sistemas pode gerar uma economia potencial de R$ 3 bilhões por ano para cada 2 GW adicionados ao sistema. Além disso, o mercado de armazenamento no Brasil pode atrair investimentos que chegam a R$ 45 bilhões até 2030.
Desperdício de energia e gargalos no sistema
O leilão de baterias surge em um momento crítico, já que atualmente cerca de 20% da energia solar e eólica gerada não é aproveitada devido a limitações operacionais do sistema elétrico, conhecido como curtailment. Essa situação é exacerbada pela crescente instalação de painéis solares em residências e empresas, que, embora conectados ao sistema, não podem ser desligados individualmente, forçando o ONS a interromper a geração de usinas renováveis.
Expectativas e próxima reunião do CMSE
O avanço do leilão depende da publicação de diretrizes pelo MME e da conclusão de discussões regulatórias na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) se reunirá em 13 de maio de 2026 para discutir as regras do certame. A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) alertou que o prazo mínimo entre a publicação das regras e a realização do leilão é de cinco a seis meses, o que exige que o governo tome decisões ainda no primeiro semestre para que os sistemas possam entrar em operação até 2028.
Interesse das empresas no leilão
Grandes empresas do setor elétrico, como a Engie Brasil e a Axia (ex-Eletrobras), já demonstraram interesse em participar do leilão. A Engie Brasil, por exemplo, está atenta às oportunidades e aguarda a definição das regras para avançar com seus projetos. A Axia também tem planos para projetos que podem alcançar 4 GW de capacidade.
Opinião
O leilão de baterias representa uma oportunidade significativa para o Brasil, não apenas para reduzir o desperdício de energia, mas também para impulsionar investimentos e modernizar o setor elétrico.





